
Imagine abrir a torneira e... nada. Nada mesmo. Por quatro dias inteiros. Foi exatamente isso que os moradores do Condomínio Vivendas do Sul, em Contagem, na Grande BH, viveram nesta semana que passou. Uma verdadeira saga por um bem básico que a gente só dá valor quando falta.
A situação, digna de filme catástrofe, começou na quinta-feira (29) e só foi resolvida no fim da tarde deste domingo (1º). Quase 100 horas de puro desespero. E o motivo? Uma dívida colossal de R$ 225 mil com a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Sim, você leu direito: duzentos e vinte e cinco mil reais.
O prejuízo vai muito além da sede
Não foi só o desespero de não ter água para beber, cozinhar ou tomar aquele banho relaxante depois do trabalho. A falta do líquido vital paralisou a vida no condomínio. Restaurantes localizados dentro do residencial — que dependem do abastecimento para funcionar — tiveram que fechar as portas. Prejuízo na certa.
"A gente fica refém de uma situação dessa", desabafou uma moradora, com uma voz que misturava cansaço e revolta. Ela contou que precisou comprar água mineral até para dar descarga no vaso sanitário. "É um custo a mais que a gente não esperava, não é justo".
De quem é a culpa? O eterno jogo de empurra-empurra
Aqui a coisa fica complicada — como sempre acontece. A administração do condomínio joga a responsabilidade para a Copasa, alegando que a empresa não emite as guias de pagamento corretamente. Do outro lado, a Copasa, através de sua assessoria, afirma que a dívida é antiga e que a interrupção do fornecimento segue todos os trâmites legais. Um clássico, não?
Enquanto os ânimos se exaltavam e o calor aumentava — literal e figurativamente —, a solução veio de um acordo de última hora. Um pagamento parcial foi feito, e a água voltou a correr pelas torneiras no domingão. Alívio? Com certeza. Mas a sensação que ficou foi de que o problema pode se repetir a qualquer momento.
Uma vizinhança inteira aprendeu da pior forma possível que a falta de diálogo e a burocracia podem ter um custo altíssimo: o bem-estar de centenas de famílias. Será que precisava chegar a esse ponto?