Unicamp e Universidade de Ferrara mapeiam centro histórico de Amparo (SP) com tecnologia 3D
Unicamp e Itália mapeiam centro histórico de Amparo com 3D

Unicamp e Universidade de Ferrara realizam mapeamento inédito do centro histórico de Amparo (SP)

Um estudo pioneiro desenvolvido pela Unicamp em parceria com a Universidade de Ferrara, na Itália, está mapeando o centro histórico de Amparo (SP) com tecnologias de ponta. A pesquisa tem como objetivo criar estratégias inovadoras para a conservação de conjuntos urbanos tombados no estado de São Paulo, utilizando equipamentos avançados para gerar modelos tridimensionais de alta precisão.

Metodologia replicável para preservação de patrimônio histórico

O projeto, que começou em setembro de 2025 e segue até agosto de 2026, busca estabelecer uma base metodológica que possa ser aplicada em outros centros históricos paulistas. Segundo o professor Marcos Tognon, da Unicamp, a iniciativa visa criar uma plataforma de gestão compartilhada, integrando dados regionais, nacionais e internacionais. "Nós queremos criar uma base metodológica para uma plataforma de gestão compartilhada", explicou Tognon, destacando a colaboração com o Condephaat e a Universidade de Ferrara.

Por que Amparo foi escolhida para o estudo piloto?

Os pesquisadores selecionaram Amparo como caso piloto devido a sua rica diversidade arquitetônica e urbanística. A cidade apresenta:

  • Riqueza de morfologias urbanas;
  • Técnicas construtivas que abrangem desde o período colonial até a industrialização paulista;
  • Representatividade entre os 15 centros históricos tombados pelo Condephaat, incluindo locais como Iguape e São Luiz do Paraitinga.

Entre 2018 e 2022, o Condephaat analisou 98 pedidos de intervenção no perímetro tombado de Amparo, utilizando levantamentos antigos das décadas de 1980 e 2000. Isso reforça a necessidade de atualizar o inventário com tecnologias modernas.

Tecnologias avançadas no mapeamento: laser, drones e fotogrametria

Durante o trabalho de campo em setembro de 2025, as equipes da Unicamp e da Universidade de Ferrara empregaram diversas técnicas para registrar e medir os imóveis do patrimônio histórico, sem interferir na rotina dos moradores. As tecnologias utilizadas incluem:

  1. Escaneamento a laser;
  2. Fotogrametria;
  3. Sobrevoos com drone;
  4. Levantamentos topográficos com estação total.

Esses equipamentos fornecem dados georreferenciados com alto grau de precisão, permitindo a criação de modelos 3D detalhados que servirão para diagnóstico e monitoramento de intervenções futuras.

Colaboração internacional com expertise em patrimônio cultural

A Universidade de Ferrara traz uma vasta experiência em projetos de preservação, tendo trabalhado em monumentos icônicos como o Coliseu de Roma, o Museu do Ipiranga e o MASP em São Paulo. O laboratório DIAPReM da universidade italiana é referência global na aplicação de tecnologias digitais ao patrimônio cultural. "Eles digitalizaram, criaram um modelo 3D detalhadíssimo do Coliseu, onde se consegue contar quantos pregos tem", afirmou Tognon, ressaltando a precisão dos métodos italianos.

Próximas etapas e impactos esperados

O cronograma do projeto prevê a apresentação dos resultados no Salone del Restauro 2026, em Ferrara, e exposições didáticas em Amparo e São Paulo. A expectativa é que a pesquisa sirva como modelo para a preservação de outros centros históricos tombados em São Paulo, contribuindo para a qualidade urbana e a mitigação de riscos ambientais, como enchentes do Rio Camanducaia.

Financiado pela Fapesp e com apoio do Condephaat, o estudo é coordenado pelos professores Marcos Tognon e Haroldo Gallo, contando com a colaboração de especialistas italianos. A iniciativa representa um avanço significativo na integração de tecnologia e preservação do patrimônio histórico brasileiro.