Uma tartaruga da espécie verde e um boto-cinza, conhecido cientificamente como Sotalia guianensis, foram encontrados mortos na manhã desta sexta-feira, dia 20, na faixa de areia da Praia do Caolho, localizada em São Luís, capital do Maranhão. Após a descoberta, a área foi imediatamente isolada por guarda-vidas da Guarda Municipal, que atuaram para preservar o local e evitar a aproximação de curiosos.
Hipótese sobre o posicionamento dos animais
De acordo com informações prestadas pelos guarda-vidas, a suspeita é que os animais tenham sido colocados lado a lado por garis responsáveis pela limpeza das praias durante a madrugada. Esses profissionais, ao se depararem com os corpos, podem ter organizado os animais na areia, o que explica sua disposição próxima um do outro.
Recolhimento e monitoramento das espécies
O recolhimento da tartaruga verde será realizado pelo Instituto Queamar, organização que também monitora os encalhes de espécies marinhas na região. Segundo dados do instituto, nos últimos dois anos, aproximadamente 400 espécies marinhas encalharam no litoral do Maranhão, um número que evidencia a gravidade da situação.
“Essa região do Maranhão é considerada uma área de alimentação crucial. Esses animais, especialmente os mais jovens, migram para cá em sua fase juvenil para se alimentar. Diversos fatores podem causar impactos negativos, incluindo a pesca predatória, o acúmulo de lixo nos oceanos e até a presença de predadores naturais”, explicou a bióloga Viviane Araújo, representante do Instituto Queamar.
Já o boto-cinza, que pertence à espécie Sotalia guianensis, será recolhido por uma equipe especializada do Instituto Amares. A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) destacou que este animal está oficialmente listado como espécie ameaçada de extinção, o que aumenta a preocupação com sua preservação.
Importância ecológica das espécies
Ambas as espécies são habitantes comuns das baías de São Marcos e São José, desempenhando um papel fundamental na manutenção do equilíbrio ecológico do litoral maranhense. Sua presença ajuda a regular as cadeias alimentares e a saúde dos ecossistemas costeiros, tornando suas mortes um evento significativo para o ambiente marinho.
Série de mortes acende alerta ambiental
O achado dos animais na Praia do Caolho acendeu um alerta vermelho para os órgãos de preservação ambiental, pois este não é um caso isolado. Nos últimos trinta dias, pelo menos cinco animais marinhos foram encontrados mortos em diferentes pontos do litoral do Maranhão, indicando um padrão preocupante.
Casos recentes no litoral maranhense
- No início desta semana, um golfinho foi encontrado sem vida na Praia de Ponta Verde, em São José de Ribamar, na Região Metropolitana de São Luís.
- Dez dias antes, outro golfinho foi achado morto em uma praia de Paulino Neves, no litoral do estado, apresentando sinais claros de mutilação.
- No mesmo período, uma tartaruga marinha da espécie verde também foi encontrada morta na Praia do Calhau, na capital maranhense, reforçando a vulnerabilidade desta espécie, que está em risco de extinção no Maranhão.
Essas mortes fazem parte de um cenário que vem se repetindo com frequência alarmante no litoral maranhense. Os encalhes, na grande maioria das vezes, estão diretamente ligados à ação humana, como o uso de redes de arrasto e outras modalidades de pesca que capturam os animais acidentalmente. Além disso, a poluição crescente dos oceanos e a degradação acelerada dos ecossistemas costeiros agravam significativamente a situação, criando um ambiente hostil para a vida marinha.
Orientações para a população
Ao se deparar com um animal marinho encalhado, seja ele vivo ou morto, as autoridades ambientais orientam fortemente que a população não toque no animal e nem tente devolvê-lo ao mar por conta própria. A medida mais importante é acionar imediatamente os órgãos responsáveis, garantindo um resgate adequado e profissional.
Para reportar casos como este, a população pode entrar em contato com o Instituto Queamar pelo telefone (98) 98487-8789 ou com o Instituto Amares através do número (98) 98836-1717. A rápida comunicação é essencial para a preservação das espécies e para a coleta de dados que ajudem a entender e combater as causas desses incidentes.



