Maiara e Maraísa: filhotes de tamanduá-bandeira órfãs resgatadas após atropelamentos em MG
Duas filhotes de tamanduá-bandeira, símbolo da fauna brasileira, estão sob cuidados especiais em Passos (MG) depois de perderem suas mães em atropelamentos registrados em rodovias da região. A mais recente resgatada, batizada de Maraísa, foi encontrada no último domingo (26) abraçada ao corpo da mãe, às margens da estrada entre Jacuí e Termópolis, em uma cena que comoveu os socorristas.
Maraísa chegou ao atendimento veterinário com hipotermia, desidratação e queda de pressão, mas apresenta evolução positiva no quadro de saúde. Ao lado dela, outra filhote, chamada Maiara, também se recupera. Maiara passou por situação semelhante: a mãe morreu atropelada, deixando a filhote órfã. Segundo a equipe veterinária, ambas têm entre duas e três semanas de vida.
O médico-veterinário André Luís Carvalho Amparado, responsável pelo atendimento, explicou que os dois resgates ocorreram com diferença de cerca de uma semana, mas em circunstâncias parecidas. “Foi a diferença de uma semana entre as duas no mesmo triste episódio, o que aconteceu: atropelamentos em nossas rodovias. As mães infelizmente morreram e deixaram órfãos essas duas menininhas aqui que estão sendo cuidadas”, disse.
De acordo com o veterinário, as filhotes chegaram em estado crítico, mas responderam bem ao tratamento. “Elas chegaram com um quadro de desidratação, de hipotermia, com queda de pressão. Isso foi restaurado e cada dia elas estão melhores, graças a Deus.” O cuidado com tamanduás-bandeira exige atenção constante. As filhotes estão sendo alimentadas a cada duas horas, com uma dieta específica. “É um leite que tem uma proteína específica para eles, introduzido com larvas e whey. Agora elas estão bem, graças ao bom Deus. E aqui é um privilégio cuidar desses animaizinhos”, afirmou André.
Encaminhamento para centro de reabilitação
Segundo o veterinário, este é o último dia das filhotes em Passos. Elas serão encaminhadas para Divinópolis, onde ficarão sob os cuidados de um Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cetas), estrutura especializada para a continuidade do tratamento e reabilitação. O profissional destacou que o atendimento a animais silvestres é mais complexo do que o de animais domésticos. “É complicado pelo seguinte: cada animal desse tem uma particularidade. Não são só tamanduás que vêm. Tem lobo, tem onça, tem vários répteis, tem aves. Então nós temos que estudar muito bem qual é a particularidade de cada animal.” De acordo com ele, a clínica atende pelo menos dois animais por dia envolvidos em acidentes ou resgates na região.
O que fazer ao encontrar animais silvestres atropelados
O veterinário também orientou sobre como a população deve agir ao se deparar com animais silvestres feridos em rodovias. “Contactar o Corpo de Bombeiros ou a Polícia Ambiental local para que faça o recolhimento desses animais e dali eles vão estar enviando para uma clínica especializada nesse tipo de situação.”
O tamanduá-bandeira é considerado um dos símbolos da biodiversidade brasileira e está entre as espécies mais afetadas por atropelamentos em rodovias.



