Empresário de São José do Rio Preto tem heterocromia e afirma: “Ter olhos de cores diferentes não é para qualquer um”. A frase se encaixa perfeitamente na vida de pessoas que possuem essa condição rara e revelam como encaram essa característica única. A heterocromia ocorre devido à diferença na quantidade de pigmento, mais especificamente a melanina, presente na íris dos olhos.
Infância de descobertas
O assessor de investimentos Igor Mendes, de 30 anos, natural de Penápolis (SP), percebeu que havia algo diferente em sua aparência ainda na infância. Ele possui olhos claros com colorações que variam entre azul e verde. Em entrevista, Mendes relatou que era frequentemente observado e questionado pelos colegas na escola.
“Na infância, foi um processo de entendimento e adaptação. Eu sabia que tinha algo diferente, mas não tinha maturidade para compreender exatamente o que era. Isso vinha acompanhado de um certo estranhamento, porque a criança tende a destacar o que foge do padrão. Eu acabava sendo muito observado, questionado, e isso nem sempre era fácil de processar”, conta.
A incerteza quanto às variações nas cores dos olhos do filho também levou os pais de Igor a procurarem um especialista. Logo, o diagnóstico os deixou despreocupados. “Quando perceberam a diferença na coloração dos olhos, meus pais quiseram entender se aquilo poderia ter alguma relação com a minha saúde. Fui levado para avaliação médica, e foi confirmado que se tratava de heterocromia, uma condição benigna. A partir desse momento, veio um alívio muito grande, porque deixou de ser uma preocupação e passou a ser apenas uma característica minha. Isso também foi importante para que eu crescesse com mais segurança em relação a isso”, conta.
Vida normal e autoaceitação
Igor conta que nunca teve complicações por conta da heterocromia. Por ser uma condição benigna, ele sempre levou uma vida normal. Hoje, diz que convive com os questionamentos das pessoas de forma leve e divertida. Entretanto, durante a adolescência, chegou a ter vergonha por se diferenciar dos demais amigos.
“Isso me incomodou principalmente nessa fase mais jovem, quando a autoestima ainda está em formação. Qualquer comentário tinha um peso maior e, quando envolvia algo tão visível quanto o rosto, isso ficava ainda mais sensível. Eu ouvi alguns apelidos e comentários que, na época, me marcaram. Hoje, eu gosto muito e valorizo. É uma característica que me diferencia de forma muito marcante”, finaliza o assessor de investimentos.
Gêmeos com olhos diferentes
A heterocromia é uma das poucas características que diferencia o empresário Rafael Fazzini, de 29 anos, de seu irmão gêmeo, Felipe Fazzini. Rafael é proprietário de uma loja e constantemente é questionado pelos clientes ao notarem que ele tem um olho castanho escuro e o outro verde. “A heterocromia nunca me atrapalhou, sempre foi um plus na minha vida. Sou feliz em ter olhos de cada cor”, conta.
Rafael também faz trabalhos como modelo. Ele revela que a condição rara o ajudou a se destacar de outros candidatos e faz com que não haja confusão com Felipe. “Nunca me incomodou, inclusive sempre foi a forma que me diferenciavam do meu irmão gêmeo. Nunca tive problema em relação a isso. Eu achava interessante a curiosidade das pessoas, o que inclusive impulsionou a minha carreira de modelo”, comenta.
O empresário revela que, na infância, os pais o levaram para avaliação médica. Após o diagnóstico, todos passaram a lidar com a situação de forma tranquila. Ele nunca teve problemas de saúde devido à condição rara.
O que é a heterocromia
A heterocromia é uma alteração genética rara, com incidência estimada em cerca de seis a cada 1.000 pessoas (ou menos de 1% da população mundial). O oftalmologista Carlos Eduardo Cury Junior, de São José do Rio Preto, explica que isso ocorre devido à diferença na quantidade de pigmento, a melanina, na íris. “É uma condição rara e, na maioria das vezes, a pessoa já nasce com ela, sem qualquer problema de saúde associado. Também pode surgir ao longo da vida por fatores como inflamações, traumas, uso de alguns colírios ou doenças oculares”, explica.
Ainda segundo o especialista, não há motivo para preocupação. “Geralmente não há preocupação, apenas acompanhamento oftalmológico de rotina. Entretanto, se a cor dos olhos mudou recentemente, é importante procurar um oftalmologista para avaliação. A heterocromia não prejudica a visão. O cuidado maior é quando a mudança é recente, pois pode indicar alguma condição ocular que precisa ser investigada”, finaliza Cury.



