A presença da cadela Bela, um labrador de cinco anos, tem transformado a experiência de crianças vítimas de violência atendidas na 14ª Vara Criminal de Maceió. O animal faz parte do “Projeto Cura”, iniciativa que oferece apoio emocional antes dos depoimentos especiais realizados pela Justiça.
Como o projeto funciona
Desde o início de maio, Bela passou a integrar a equipe da vara. Segundo o juiz Caio Barros, responsável pela unidade, as crianças chegam geralmente tensas e inseguras por precisarem relatar situações traumáticas, como abuso sexual, lesão corporal e tortura. “Percebemos que as crianças chegam sempre muito tensas, preocupadas e ansiosas por não saberem como é o procedimento de escuta e também porque, em geral, vêm falar de uma situação muito grave que aconteceu com elas”, afirmou o magistrado.
Benefícios do contato com o animal
De acordo com o juiz, o contato com a cadela ajuda os menores a se sentirem mais seguros e tranquilos antes e durante as audiências. “Os cães têm esse poder de acolhimento, de proporcionar amor e segurança. No caso das crianças, elas ficam brincando com o cãozinho, ficam mais distraídas e tranquilas e, durante a audiência, começam a falar de forma mais fluida, porque estão menos tensas”, destacou.
A mudança no comportamento das vítimas também foi observada pela psicóloga Wanessa Oliveira, que acompanha os depoimentos na unidade. “A gente percebe que já há uma mudança significativa. As crianças chegam aqui muitas vezes ansiosas, com vergonha, e quando encontram a Bela ficam mais à vontade, diminui a ansiedade. Quando vêm para a sala de depoimento, a gente vê que elas estão muito mais relaxadas”, disse.
Parceria e planos futuros
O “Projeto Cura” foi idealizado pelo juiz Caio Barros em parceria com o Canil da Polícia Militar de Alagoas, que disponibiliza animais adestrados para apoio emocional. Atualmente, Bela atua na 14ª Vara Criminal às segundas-feiras, dia em que são realizados os depoimentos especiais. A expectativa da equipe é ampliar o projeto para que o animal esteja presente na unidade pelo menos duas vezes por semana. “Queremos proporcionar esse acolhimento na chegada, durante o depoimento e na hora de as crianças irem embora. A intenção é deixar a experiência a menos traumática possível”, reforçou o juiz.



