O menino Kratos Douglas, de 11 anos, encontrado morto nesta semana dentro de casa onde morava com a família na Zona Leste de São Paulo, era acorrentado e torturado havia pelo menos um ano, segundo a Polícia Civil. O pai da criança, Chris Douglas, de 52 anos, a avó paterna Aparecida Gonçalves, de 81, e a madrasta Camilla Barbosa Dantas Felix, 42, estão presos e foram indiciados por tortura com resultado morte do menino. A pena pode chegar a até 16 anos de prisão. A equipe de reportagem tenta localizar as defesas deles para comentarem o assunto.
Investigação revela tortura prolongada
Tudo indica que ele estava sendo torturado há pelo menos um ano, disse nesta quinta-feira (14) à imprensa o delegado Thiago Bassi, do 50º Distrito Policial (DP), Itaim Paulista. Estamos convictos da participação dos três no crime de tortura. Ainda segundo o delegado, a família mora na casa do Itaim Paulista desde o segundo semestre do ano passado. Nesse período, os vizinhos disseram que nunca viram Kratos sair da residência. Há um ano a família reside no local e há um ano os vizinhos não sabiam da existência dele.
Menino desnutrido e com lesões
De acordo com a investigação, Chris admitiu em seu interrogatório na delegacia que prendia o filho com corrente para impedir que ele fugisse de casa. O homem foi preso em flagrante na segunda-feira (11), quando o menino foi achado morto na residência por médicos e policiais. Chris segue detido preventivamente. Ele negou que agredisse a criança, mas as autoridades encontraram lesões nas pernas do menino compatíveis com tortura. Além disso, Kratos estava desnutrido. Mais de um ano isso estava acontecendo. Sabe aquelas crianças magrinhas, desnutridas... você só vê o esqueleto dessa criança, disse Osvaldo Nico Gonçalves, secretário da Segurança Pública de São Paulo.
Aparecida e Camilla foram presas na quarta (13) por determinação da Justiça. A polícia também pediu a prisão preventiva das duas, mas ainda não havia uma decisão judicial sobre o pedido até a última atualização desta reportagem. Em seus depoimentos, elas disseram que sabiam que Kratos era acorrentado pelo pai, mas negaram participação nisso. Disseram que o que faziam era alimentar o garoto. Elas afirmam que tinham conhecimento do acorrentamento, mas alegam que ele fugia, ele tinha esse costume de sair da casa, falou Thiago. Elas informaram que ele não ia à escola porque, ao chegar à escola ele fugia, ficava vários dias fora de casa e depois retornava subnutrido.
Menino não frequentava escola desde 2024
Segundo a investigação, Kratos não frequentava a escola desde 2024. A informação é de que a criança não estava matriculada. A avó veio com a criança de Bauru há um ano, disse a delegada Ancilla Vega, titular do 50º DP. De acordo com ela, o laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML), que ainda não ficou pronto, irá apontar a causa da morte do garoto.
Descoberta do caso
Kratos Douglas foi encontrado morto no chão de um dos quartos da casa. A própria família acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros, alegando que o menino estava passando mal. Quando os socorristas chegaram, ele já estava sem vida. O corpo apresentava hematomas nos braços, mãos e pernas, além de outros sinais compatíveis com maus-tratos. Também foram encontradas correntes, que o pai admitiu usar no filho. A Polícia Militar (PM) foi chamada até o local e deteve Chris. A Polícia Civil foi em seguida e encontrou câmeras de monitoramento interno no imóvel. A investigação quer saber se o pai gravava a tortura contra o filho. Os equipamentos foram apreendidos e serão periciados. A corrente usada para prender o garoto também foi recolhida.
Mais duas crianças que estavam na casa - uma menina de 3 anos, filha da madrasta de Kratos, e outra de 12 anos, filha da mãe do menino que morreu - foram levadas pelas autoridades ao Conselho Tutelar. A mãe de Kratos, que mora no interior do estado, será ouvida pela polícia. Por enquanto ela não é investigada e falará como testemunha.



