Homem que matou esposa e forjou suicídio é condenado a 27 anos
Homem condenado a 27 anos por matar esposa e forjar suicídio

Emílio Carlos Alves Ramos, acusado de assassinar a própria esposa e simular um suicídio em Santos, no litoral de São Paulo, foi sentenciado a 27 anos de reclusão. A defesa já interpôs recurso contra a decisão do tribunal do júri.

O crime

Camila Indame Ramos, de 39 anos, foi localizada sem vida no apartamento onde vivia com o marido, em abril de 2022. Inicialmente, Emílio afirmou ter encontrado o corpo e alegou que a esposa sofria de depressão. O caso foi registrado como suicídio, mas as investigações revelaram a verdade: homicídio qualificado por feminicídio, asfixia e violência doméstica, além de fraude processual.

Julgamento e condenação

O julgamento, que ocorreu mais de quatro anos após o crime, foi adiado três vezes por falta de uma testemunha de defesa. Finalmente, nesta quarta-feira (13), o júri condenou Emílio por maioria de votos a 27 anos de prisão em regime fechado: 25 anos pelo homicídio qualificado e 2 anos pela fraude processual.

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O advogado de defesa, Eugênio Malavasi, informou que recorreu da sentença, alegando que a decisão “contrariou totalmente a evidência dos autos”. Segundo ele, o resultado não condiz com a realidade processual e probatória, e a defesa já interpôs recurso de apelação para que o tribunal analise se os jurados agiram de forma contrária às provas.

Detalhes do caso

De acordo com o boletim de ocorrência, Camila foi encontrada na sala com um pano enrolado no pescoço. O Samu constatou o óbito no imóvel localizado na Avenida Ana Costa, bairro Vila Mathias. Emílio relatou à polícia que saiu para trabalhar, trocou mensagens com a esposa, mas não percebeu a falta de resposta. Ao chegar em casa, encontrou o corpo caído de bruços com o pano no pescoço. Ele disse que tentou retirar o pano e realizou manobras cardíacas, sem sucesso. Afirmou ainda que a mulher enfrentava depressão e usava zolpidem.

O delegado Marcelo Gonçalves destacou que os laudos indicaram marcas no corpo da vítima em três datas diferentes: 6, 15 e 16 de abril de 2022, sendo a última a data da morte. A versão do marido não se sustentava. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a vítima estava sob efeito de álcool e zolpidem, medicamento que induz o sono. Durante o interrogatório, o homem admitiu que a esposa ficava “grogue” sob efeito da substância. O delegado questionou como alguém nessa condição teria força para causar tantas lesões e cometer suicídio, mas não obteve resposta. O perito também não encontrou nenhum objeto compatível com as lesões.

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