Novo vídeo revela morte de motorista por policial nos EUA em meio a tensão imigratória
Vídeo mostra momento em que policial mata motorista nos EUA

Um novo vídeo, divulgado nesta sexta-feira (9), trouxe à tona os momentos finais da vida de Renee Good, motorista morta a tiros por um policial durante uma abordagem do Serviço de Imigração e Controle Alfandegário (ICE) nos Estados Unidos. As imagens intensificam o debate nacional sobre a política de imigração do governo Trump, que já divide democratas e republicanos e toma conta das ruas e dos noticiários.

Os detalhes do incidente em Minnesota

O material visual, capturado pelo próprio agente que efetuou os disparos, mostra a sequência da ação. Em gravações anteriores, o policial aparecia contornando o veículo de Renee Good enquanto registrava a cena com um celular. No vídeo recente, fica claro que o carro da vítima bloqueava a rua, numa tentativa de impedir a operação do ICE.

Do lado de fora do automóvel, a companheira de Renee também filmava a situação e alertava aos agentes que ambas eram cidadãs americanas. Diante da ordem do policial para que saísse do veículo, Renee Good deu ré, girou o volante e tentou sair para o lado oposto. Foi nesse instante que o agente efetuou o disparo fatal.

Um detalhe relevante veio à tona na quinta-feira (8): o policial envolvido no episódio já havia sido arrastado por um carro em uma abordagem anterior, ocasião em que ficou ferido. Sobre a possibilidade de responsabilização, o vice-presidente J.D. Vance afirmou que, por se tratar de um agente federal, o policial teria imunidade total. Contudo, a procuradora-geral responsável pelo caso declarou que ele pode, sim, ser processado pela justiça local.

Reações políticas e um segundo caso

A morte de Renee Good gerou fortes reações no cenário político. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, classificou o ocorrido como um caso claro de uso excessivo da força. Ele criticou a atuação da polícia de imigração, que intensificou operações na cidade na terça-feira, afirmando que suas ações têm trazido tiroteios e insegurança.

Em resposta, o governador democrata de Minnesota, Tim Walz, convocou a Guarda Nacional para assegurar a ordem pública e exigiu que policiais estaduais participem das investigações. A tensão não se limitou a Minnesota. Um dia após o incidente, um caso semelhante ocorreu no estado do Oregon, onde um agente da polícia de imigração feriu duas pessoas durante uma abordagem, alegando que a dupla tentou atropelá-lo com o carro.

Abordagem a venezuelanos e alegações do governo

No caso do Oregon, os agentes da Patrulha da Fronteira afirmavam estar à procura de um venezuelano em situação irregular, Luis Moncada, que havia entrado nos EUA em 2022 e tinha passagem por dirigir embriagado. Ele estava acompanhado de Yorlenys Contreras, também em situação ilegal no país.

Segundo o relato oficial, ao serem abordados, Luis e Yorlenys tentaram fugir, o que levou os agentes a abrirem fogo. Mesmo feridos, os dois conseguiram dirigir por mais de três quilômetros até um condomínio onde residiam, de onde pediram socorro à polícia local e foram hospitalizados.

Uma porta-voz do Departamento de Segurança Interna justificou os tiros, alegando que o motorista tentou atropelar o agente durante a fuga. Além disso, a autoridade afirmou, sem apresentar provas, que os dois venezuelanos faziam parte do cartel de drogas "Tren de Aragua", organização designada como terrorista pelo presidente Donald Trump. O chefe de polícia de Portland, por sua vez, declarou não saber se houve realmente tentativa de atropelamento e informou que o FBI lidera as investigações.

Os episódios consecutivos colocam um holofote sobre os métodos da polícia de imigração americana e reacendem o debate sobre segurança pública, direitos civis e a acirrada disputa política em torno das leis de imigração nos Estados Unidos.