O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado por forças dos Estados Unidos em Caracas e está sendo transportado para a cidade de Nova York, onde enfrentará acusações de narcoterrorismo. A informação foi divulgada pela emissora CNN neste sábado, 3 de janeiro de 2026, e confirmada posteriormente pelo ex-presidente americano Donald Trump.
Operação Militar e Reações Imediatas
A ação militar, descrita por Trump como "brilhante", resultou na captura de Maduro e de sua esposa, a primeira-dama Cilia Flores. Em um pronunciamento na rede pública VTV, a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, afirmou que o governo de Caracas desconhece o paradeiro do casal e exigiu "prova de vida imediata" das autoridades norte-americanas.
A secretária de Justiça dos EUA, Pam Bondi, foi enfática ao declarar que o líder venezuelano "em breve enfrentará a força total da Justiça americana, em solo americano e em tribunal americano". As acusações formais contra Maduro remontam a 2020, quando ele foi indiciado pelo Distrito Sul de Nova York por crimes como conspiração para narcoterrorismo e conspiração para importação de cocaína.
Acusações Históricas e Contexto da Captura
As denúncias apresentadas durante o primeiro mandato de Trump acusavam Maduro de transformar a Venezuela em uma organização criminosa a serviço de narcotraficantes e grupos terroristas, desviando bilhões de dólares do país. Uma das acusações específicas o vinculava ao chamado Cartel de los Soles, designado como organização terrorista estrangeira em novembro de 2025.
Os EUA ofereciam uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à captura de Maduro. A operação atual evoca a invasão americana ao Panamá em 1990, que resultou na captura do líder Manuel Antonio Noriega.
Em publicação na rede Truth Social, Donald Trump celebrou o sucesso da operação: "Os Estados Unidos realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, junto com sua esposa, foi capturado e retirado do país por via aérea". Ele prometeu mais detalhes em uma coletiva de imprensa em Mar-a-Lago.
Escalada Prévia de Tensões e Questionamentos
A captura não é um evento isolado, mas o ápice de uma escalada de tensões. No final de outubro de 2025, Trump revelou ter autorizado a CIA a conduzir operações secretas dentro da Venezuela. O Pentágono chegou a apresentar opções de ataques a instalações militares venezuelanas.
Entretanto, a base legal para a ação militar direta é questionada. Dados das Nações Unidas, como o Relatório Mundial sobre Drogas de 2025, indicam que a principal droga responsável por overdoses nos EUA, o fentanil, tem origem no México, não na Venezuela. O documento também aponta que a cocaína consumida nos Estados Unidos vem majoritariamente da Colômbia, Bolívia e Peru.
A ação de Trump também enfrenta resistência interna. Uma pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que apenas 29% dos americanos apoiam o uso das Forças Armadas para matar suspeitos de narcotráfico sem devido processo judicial. Entre os republicanos, o apoio é de 58%, enquanto entre os democratas, cerca de 75% se opõem às operações.
O ministro da Defesa da Venezuela já prometeu resistir à "invasão", e a comunidade internacional aguarda os desdobramentos de um caso que promete abalar as relações geopolíticas nas Américas.