PM chuta rosto de mulher durante ocorrência em São Vicente; 'Liga essa COP aí', orienta parceira
A Polícia Civil de São Vicente instaurou um inquérito para investigar possível abuso de autoridade por parte do policial militar Danilo de Oliveira Moura, flagrado chutando o rosto de uma mulher de 31 anos enquanto atendia uma ocorrência. O caso, inicialmente registrado como desacato, foi atualizado devido à discrepância entre as versões apresentadas.
Detalhes da agressão e abordagem policial
A agressão ocorreu na madrugada de quinta-feira (19), no bairro do Gonzaguinha, após a Polícia Militar ser acionada pelo porteiro do prédio devido a denúncias de gritos no apartamento da mulher. Testemunhas relataram que os policiais levaram a moradora para a garagem, mas ela tentou retornar à recepção e, ao ser impedida, desferiu um tapa no agente.
"Foi tão rápido que a gente nem sabe se pegou no pescoço, no rosto ou se ele desviou. Eu sei que foi tão rápido que ele puxou o pescoço para trás e, em seguida, deu um soco em que ela caiu no chão desacordada", contou uma testemunha que preferiu não se identificar.
A própria mulher afirmou à TV Tribuna que tentou dar o tapa no policial após se exaltar com outros moradores que gravavam a abordagem. Ela mencionou fazer uso de medicação controlada, mas não a tomava há um mês. O policial reagiu com um chute, cena filmada por um morador.
Investigações e versões conflitantes
A mulher foi encaminhada ao Pronto-Socorro Central e os policiais registraram a ocorrência na Delegacia de São Vicente como desacato. No local, o policial alegou ter sido atingido com um tapa e utilizado "o uso moderado da força" para conter a moradora.
No entanto, em vídeo obtido pelo g1, a policial militar parceira de Danilo de Oliveira Moura é ouvida dizendo para ele "ligar a COP", referindo-se à câmera operacional portátil, durante a abordagem. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que as imagens das câmeras corporais estão sendo analisadas.
A mulher compareceu à delegacia no sábado (21) e relatou as agressões. A Polícia Civil também obteve acesso às imagens do circuito de monitoramento e das câmeras corporais.
"Constatou-se uma discrepância entre os fatos noticiados e àqueles que realmente ocorreram. Motivo esse que foi elaborada uma segunda edição do boletim, sendo inserido a modalidade de abuso de autoridade", explicou o delegado Marcos Alexandre Alfino.
A investigação segue como desacato e abuso de autoridade. O inquérito, em andamento, será encaminhado à Justiça Comum após conclusão.
Posicionamentos institucionais
Em nota, a Polícia Militar informou ter instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar todos os aspectos do caso e afastou o policial envolvido das atividades operacionais.
"As imagens registradas pelas câmeras operacionais portáteis (COPs) dos policiais são analisadas. A instituição repudia excessos, desvios de conduta e ressalta que, constatada qualquer irregularidade, os responsáveis serão punidos", complementou a corporação.
O Condomínio Edifício Santa Sophia, em nota assinada pelo advogado Marcelo Furlan da Silva, relatou que recebeu reclamações de moradores sobre barulhos no apartamento da mulher durante três dias. O porteiro entrou em contato com ela, que reagiu com gritos e palavras de baixo calão.
"Em seguida, dirigiu-se ao hall do edifício, onde, em estado de descontrole, tentou agredir o porteiro e arremessar contra ele um vaso de vidro. Diante da gravidade da situação e para garantir a segurança no local, o porteiro acionou a Polícia Militar", declarou o condomínio.
O comunicado ainda alegou que, com a chegada da guarnição, a moradora manteve comportamento hostil e partiu para cima de um dos policiais, agredindo-o com um tapa no rosto. "O policial reagiu à agressão e, com a moradora já no chão, ela tentou agarrar as pernas de uma policial feminina que estava ao lado. Nesse instante, ocorreu o chute na moradora por parte do policial militar".
O condomínio afirmou estar apurando internamente a dinâmica completa dos acontecimentos e se colocou à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.



