Corpo de brasileira desaparecida é identificado no Canadá após dois anos
O corpo de Letícia Oliveira Alves, uma goiana de 36 anos que estava desaparecida desde 2023, foi finalmente identificado no Canadá e será velado na manhã deste domingo (29) no Cemitério Parque Memorial, em Goiânia. O enterro está marcado para as 14h, segundo informações da família.
Detalhes da descoberta e causa da morte
De acordo com a certidão de óbito emitida na província de Québec, a data da morte foi registrada como 15 de janeiro de 2024. A causa apontada pelas autoridades canadenses foi hipotermia. O corpo de Letícia foi encontrado apenas em abril de 2024 por caçadores em Coaticook, uma área florestal na região de Quebec.
A identificação foi realizada pela ONG Unidentified Human Remains Canada, que trabalha em casos de restos humanos não identificados. A família só foi informada sobre a descoberta há aproximadamente um mês, conforme relatou Honória Dietz de Oliveira, prima da vítima.
Longo período de desaparecimento e busca internacional
"Minha prima ficou desaparecida da família por mais de dois anos", explicou Honória. "Ela deixou de dar notícias em dezembro de 2023, quando estava em Boston, nos Estados Unidos. Desde então, a Interpol iniciou as buscas."
A prima destacou que foi um verdadeiro milagre o corpo ter sido encontrado e identificado, considerando as dificuldades do local onde foi localizado. A família arcou com todos os custos do translado do corpo para o Brasil.
"Apesar de toda a tristeza, também sentimos alívio por encerrar esse período tão doloroso de buscas e angústia", afirmou Honória. "Somos gratos a Deus e às autoridades do Brasil e do Canadá envolvidas neste processo de buscas, identificação, proteção e liberação para o traslado do corpo."
Trajetória acadêmica e pessoal
Letícia Oliveira Alves era natural de Goiânia e possuía uma formação acadêmica destacada:
- Formada em Química pela Universidade Federal de Goiás (UFG)
- Mestre em Ciências pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA)
- Cursava doutorado no ITA, com pesquisa voltada ao desenvolvimento de combustível especial para aeronaves
Segundo seu irmão, Fabrício Alves de Oliveira, Letícia era "uma pessoa muito estudiosa e aplicada no que fazia, sempre se dedicando a atividades esportivas e trabalho voluntário na sua fase jovem". A pesquisadora chegou a interromper o doutorado para se dedicar a atividades religiosas.
Processo de identificação e família
A amostra de DNA utilizada para a identificação foi coletada pela Polícia de Imigração dos Estados Unidos quando Letícia ficou detida entre janeiro e abril de 2024. Este foi o elemento crucial que permitiu a confirmação de sua identidade após tanto tempo.
Letícia deixa uma filha de 12 anos. Seu pai, Jeremias Oliveira, faleceu no ano passado sem saber o paradeiro da filha, o que torna a situação ainda mais dolorosa para a família.
A história de Letícia Oliveira Alves revela não apenas um trágico desfecho para uma brasileira talentosa, mas também os desafios enfrentados por famílias em casos de desaparecimento internacional e a complexidade dos processos de identificação em circunstâncias tão difíceis.



