Adolescente relata abuso sexual e violência doméstica
Uma youtuber cearense de apenas 16 anos, que acumula milhões de seguidores nas redes sociais, divulgou um vídeo no último sábado (16) denunciando que foi vítima de abuso sexual por parte do próprio pai. A gravação foi publicada em meio a uma disputa familiar, na qual o pai tenta obter a guarda da filha. Atualmente, ele responde por violência doméstica contra a ex-mulher, mãe da adolescente.
A Polícia Civil do Ceará (PCCE) informou que investiga um crime sofrido pela jovem, sem detalhar a natureza do delito. O Ministério Público do Ceará (MPCE) também acompanha o caso. O nome da adolescente e do pai não foram divulgados para preservar a identidade da vítima.
Denúncia de abuso e falsas acusações
No vídeo, a adolescente afirmou que o pai tem feito denúncias que ela classifica como falsas contra a mãe, na tentativa de reaver a guarda. Ele acusa a ex-companheira de maltratar e manter a filha em cárcere privado. “Eu tô quase indo pra um abrigo por conta de denúncias falsas do meu pai. O meu pai cometeu violência doméstica contra minha mãe, e isso foi 1% das coisas que ele já fez. E comigo também, ele cometeu diversos abusos”, desabafou.
Ela relatou que o abuso sexual ocorreu quando tinha 11 anos: “Meu pai me colocou sem roupa na frente dele. Eu tava chorando pedindo pra ele, implorando pra deixar eu me vestir. Ele começou a gritar, dizendo que não era pra eu tampar”. A jovem também mencionou que, durante o casamento dos pais, presenciou repetidos episódios de violência. “Eu cresci vendo meu pai tentar matar a minha mãe, maltratar ela. Ele quebrava objetos em casa em momentos de fúria”, completou.
Medidas protetivas e descumprimento
Mãe e filha possuem medidas protetivas contra o homem, mas a adolescente afirma que ele continua se aproximando. No domingo (17), ele teria passado duas vezes na frente da residência. “Eu tenho crise de pânico, não consigo sair de casa, nem ir pra escola porque a gente tem medida protetiva e ele infringiu. Ele está de tornozeleira eletrônica, mas passa na frente da minha casa. A Justiça não age. Ninguém está acreditando no meu lado”, disse.
Ela ainda criticou a condução do caso: “Fui ouvida uma vez e banalizaram o que passei. Agiram como se eu estivesse mentindo, como se eu tivesse inventando porque ele manipulou todo mundo”. Para a jovem, ela e a mãe sofrem uma injustiça. “Já não basta os traumas que ele causou, ainda temos que passar por isso. Ele quer minha guarda pra quê? O que ele quer fazer comigo? É absurdo”, desabafou.
Audiência e investigação
Nesta segunda-feira (18), a Justiça marcou uma audiência de instrução por descumprimento de medida protetiva para 15 de junho. A Polícia Civil do Ceará confirmou que investiga denúncias de dois crimes: descumprimento de medida protetiva e um crime contra a adolescente, ocorridos em Tianguá. A corporação não detalhou o crime devido ao sigilo judicial.
O advogado Walisson Oliveira, que representa mãe e filha, afirmou que o pai já deveria estar preso. No entanto, ao registrar ocorrência no domingo, a mãe ouviu da escrivã e do delegado que a denúncia era “muito vaga”. “Tendo a guarda dela, ele acha que vai atingir a mãe, mas na verdade quer destruir a família. Tudo que ele acusa a mãe é ele quem pratica”, reforçou o advogado.
Denúncias contra instituições
A família também acusa o Conselho Tutelar de Tianguá de negligência, alegando que o pai, ex-motorista do órgão, teria influência sobre funcionários. “Eles dão informação pra ele. Ele já foi motorista e tem amizades. Falam coisas do processo que ele não poderia saber”, denunciou a adolescente.
Em nota, o Conselho Tutelar repudiou as acusações, classificando-as como infundadas e atentatórias à honra do órgão. Afirmou que jamais divulgou informações sigilosas e que todas as providências cabíveis foram adotadas. O caso tramita em segredo de justiça e é acompanhado pelo Ministério Público, Poder Judiciário, Defensoria Pública e advogados.
O MPCE informou que instaurou Procedimento Administrativo para acompanhar a situação da adolescente, em articulação com a rede de assistência social e saúde de Tianguá. A jovem passou por escuta especializada, conforme a Lei nº 13.431/2017. “As medidas protetivas permanecem em vigor. O Ministério Público atua prioritariamente na defesa das vítimas, em especial crianças, adolescentes e mulheres em situação de violência doméstica”, destacou o órgão.



