O ano de 2026 começou com um triste e alarmante registro de violência de gênero em Maceió, capital de Alagoas. De acordo com dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública (SSP), os dois primeiros dias do ano foram marcados por oito casos de violência contra a mulher na cidade. As ocorrências, que se espalharam por diversos bairros, resultaram em várias prisões em flagrante, com a aplicação da Lei Maria da Penha.
Agressões cometidas por familiares
Em dois casos distintos, as agressões partiram dos próprios filhos das vítimas. No bairro Tabuleiro do Martins, uma mulher de 48 anos foi agredida pelo filho de 30 anos durante uma discussão enquanto ambos bebiam. O homem empurrou a mãe e jogou cerveja em seu rosto. Diante da resistência e xingamentos à guarnição policial, ele precisou ser algemado e foi conduzido à Central de Flagrantes.
Já no Bebedouro, outro filho, embriagado, agrediu a mãe, ameaçou-a e quebrou a televisão da casa. Ele foi encontrado escondido em um cômodo pelos policiais e, assim como no caso anterior, foi preso e autuado com base na Lei Maria da Penha.
Violência e descumprimento de medidas protetivas
Outros episódios mostram a gravidade e a recorrência da violência. No Barro Duro, um homem identificado como Fábio Mendonça Medeiros descumpriu medida protetiva contra a ex-mulher e ainda agrediu o irmão da vítima. Ele foi preso por violência doméstica, vias de fato, injúria e violação de domicílio.
Uma cena chocante ocorreu no Conjunto Denisson Menezes, Cidade Universitária. Lá, uma mulher de 38 anos foi agredida pelo marido de 30 anos, ficando com a cabeça sangrando e escoriações pelo corpo. Ao chegar, a polícia a encontrou caída no chão da sala. O agressor tentou fugir pulando o muro, mas foi capturado e preso em flagrante. A vítima necessitou de atendimento médico no HGE, transportada pelo Corpo de Bombeiros.
Reação violenta e prisões turbulentas
Os relatos policiais indicam uma reação comum de resistência entre os agressores. No Jacintinho, um homem sob efeito de álcool e entorpecentes agrediu a esposa e reagiu com violência à abordagem, sendo algemado e preso. No Cruzeiro do Sul, um homem que agrediu a irmã e a sobrinha também tentou fugir e resistiu à prisão.
Até uma discussão considerada banal teve desfecho violento. No Clima Bom, uma briga por causa da perda de uns óculos terminou com a mulher sendo jogada no sofá pelo marido, machucando as costas. O homem alegou que apenas a segurou para impedir que quebrasse mais objetos, mas foi preso por injúria e vias de fato por razão de gênero.
O último caso registrado também na Cidade Universitária começou com uma comemoração de Ano Novo que terminou em tragédia. Após beber com a esposa, o homem se irritou com o pedido para desligar o som, passou a beber mais, empurrou a mulher e destruiu objetos da casa quando ela disse que sairia. Para prendê-lo, foi necessário uso progressivo da força. O detido passou mal na viatura e precisou de atendimento do SAMU antes de ser levado à Central de Flagrantes.
Todos os agressores mencionados foram encaminhados à Central de Flagrantes de Maceió, onde ficaram presos e à disposição da Justiça, respondendo por crimes como lesão corporal, injúria e, principalmente, violência doméstica e familiar contra a mulher. Os casos acendem um alerta para a necessidade contínua de combate à violência de gênero no estado.