Novos áudios revelam conduta inapropriada de servidoras em creche municipal de Socorro
Novos áudios obtidos pela EPTV, afiliada da TV Globo, expõem situações graves de ameaças e xingamentos direcionados a crianças por servidoras em uma creche municipal de Socorro, no interior de São Paulo. As gravações, divulgadas nesta quinta-feira (5), ampliam as evidências de maus-tratos que já vinham sendo investigados desde o final de 2025.
Conteúdo chocante das gravações
Nos áudios, é possível ouvir claramente as servidoras utilizando linguagem violenta e ameaçadora contra os pequenos alunos. Entre as frases registradas, destacam-se:
- "Não adianta chorar. Pode morrer de chorar"
- "Criança que não obedece vai tudo lá pra polícia"
- "Ah, vai tomar no c... menino!"
- "Quer tomar uma cintada na cara?"
O caso veio à tona inicialmente na terça-feira (3), quando os primeiros trechos foram divulgados, mas as novas gravações reforçam a gravidade das acusações.
Investigações em andamento
Atualmente, o caso está sob dupla apuração:
- Inquérito policial conduzido pela Polícia Civil
- Procedimento administrativo disciplinar movido pela Prefeitura de Socorro
A Prefeitura já determinou o afastamento da professora e da auxiliar da creche Jandira Ferreira de Andrade até a conclusão de todas as investigações. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, 11 mães de crianças entre 2 e 3 anos já prestaram depoimento, apresentando inclusive fotos que comprovariam as agressões sofridas pelos filhos.
Método de descoberta das agressões
Uma das mães envolvidas no caso revelou como descobriu que seu filho de 2 anos estava sendo vítima de maus-tratos. Através de uma abordagem lúdica utilizando um boneco, personagem preferido da criança, ela conseguiu extrair a informação crucial. "A titia bateu", teria dito o menino durante a interação, confirmando as suspeitas da família.
Impactos profundos na primeira infância
Especialistas alertam para as consequências devastadoras que tais agressões podem causar no desenvolvimento infantil. A psicóloga Pollyanna Xavier explica que "na primeira infância, principalmente, a criança tem o adulto como modelo, ela está entendendo como o mundo funciona". Nessa fase crucial, a violência em ambientes que deveriam ser de proteção, como a escola, pode gerar traumas duradouros.
A pedagoga Telma Vinha complementa destacando que crianças pequenas possuem características de desenvolvimento que as tornam especialmente vulneráveis: "elas não têm regulação, autorregulação. Se elas estão bravas, elas vão chorar, elas vão bater". Comportamentos naturais da idade muitas vezes são interpretados erroneamente pelos profissionais, levando a intervenções inadequadas e violentas.
Posicionamento das autoridades
A Secretaria de Segurança Pública informou que "as investigadas serão ouvidas para apresentar a versão dos fatos", garantindo o direito à ampla defesa. Paralelamente, o Ministério Público de São Paulo confirmou que mantém um procedimento específico sobre o caso em andamento, acompanhando de perto as investigações.
As novas evidências audiovisuais ampliam a pressão sobre as autoridades para que medidas concretas sejam tomadas, garantindo a segurança das crianças e a responsabilização dos envolvidos nos supostos maus-tratos.



