Dólar fecha em alta de 0,14% a R$ 4,919 com leilão de swap reverso do BC
Dólar sobe 0,14% a R$ 4,919 com leilão do BC

O dólar fechou em alta de 0,14%, cotado a R$ 4,919, nesta quarta-feira (6), em um pregão marcado por movimentos de correção de investidores. O avanço reverteu parte da queda da moeda na véspera, quando encerrou o dia no menor nível desde janeiro de 2024.

O real se depreciou frente à moeda norte-americana após um leilão de swap reverso do Banco Central (BC), uma operação que equivale à compra de dólares no mercado futuro. Essa ação exerceu pressão de alta sobre a cotação da moeda, indo na contramão do cenário externo. Lá fora, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a outras seis moedas fortes, recuou 0,41%.

Já a Bolsa de Valores brasileira subiu 0,50%, atingindo 187.690 pontos. O Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, foi beneficiado pela expectativa de uma trégua entre Estados Unidos e Irã e pela queda nos preços do petróleo.

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Intervenção do Banco Central

O comportamento da moeda norte-americana acompanhou uma operação com swaps reversos, realizada pelo BC às 9h. Segundo a autarquia, foi aceita uma proposta na operação, totalizando 10 mil contratos, o equivalente a US$ 500 milhões. O efeito do leilão é similar à compra de dólares no mercado futuro, interferindo nas cotações do mercado à vista. Por isso, a moeda norte-americana costuma subir quando a instituição realiza esse tipo de leilão, como se houvesse um aumento de demanda pela divisa.

Ao contrário de ocasiões anteriores, o BC não promoveu nesta quarta-feira, junto com o leilão de swap reverso, um leilão de venda à vista de dólares — operações simultâneas conhecidas como "casadão". Para Marcio Riauba, head da mesa de operações da StoneX, a autoridade buscou desacelerar o movimento de apreciação da moeda local e reancorar expectativas. "O mercado vinha carregado em posições vendidas em dólar, sustentadas pelo diferencial de juros elevado e fluxo de entrada consistente, o que abriu espaço para um movimento técnico da moeda após a intervenção", explicou.

Fernando Bergallo, diretor da FB Capital, destacou que a atuação do BC permitiu a redução de posições compradas em dólar no mercado futuro em um momento em que o cenário externo aponta para uma moeda norte-americana mais fraca. "O BC atua pontualmente para ajudar na liquidez, faz isso para os dois lados", disse Bergallo. "Me parece uma posição autônoma em relação a não definir qual a cotação de equilíbrio do dólar, já que ela não existe. A atuação é para corrigir movimentos muito agudos", acrescentou.

Cenário internacional e petróleo

Durante o pregão, a possibilidade de retomada de negociações entre EUA e Irã também animou os investidores. Segundo um porta-voz do Paquistão, os dois países estão próximos de um acordo. O funcionário confirmou à agência Reuters informações publicadas pelo site Axios de que Washington e Teerã discutem um memorando de uma página para pôr fim ao conflito e às disputas no estreito de Hormuz. Segundo ele, as negociações serão concluídas "muito em breve".

Nesta quarta, o presidente norte-americano Donald Trump afirmou que a guerra pode terminar se Teerã aceitar os termos apresentados. "Se eles não concordarem, os bombardeios começarão, e serão, infelizmente, em um nível e intensidade muito maiores do que antes", acrescentou. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou que o país persa está analisando a proposta e que comunicará sua posição ao mediador, o Paquistão, segundo a agência estatal Isna. Já a Guarda Revolucionária afirmou que a passagem segura por Hormuz será garantida com o fim das ameaças dos EUA, na primeira reação à pausa das operações americanas.

Com as notícias, o barril de petróleo Brent, referência mundial, chegou a desabar 11,92% às 8h (horário de Brasília), a US$ 96,77, ficando abaixo de US$ 100 pela primeira vez desde 23 de abril. Por volta das 17h, a commodity registrava redução de 7,73%, a US$ 101,38. A queda dos preços internacionais do petróleo leva investidores a buscarem ativos de maior risco, como mercados emergentes e ações.

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O conflito no Oriente Médio bloqueia o fluxo no estreito de Hormuz, via por onde passa cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo e gás. A paralisação tem gerado temor de um repique inflacionário global, elevando os preços do petróleo. "O principal gatilho vem do cenário internacional, após sinais de que Estados Unidos e Irã estariam próximos de um acordo para encerrar o conflito. Esse ambiente aumenta o apetite por risco nos mercados globais. No Brasil, o movimento beneficia principalmente ações ligadas a commodities", diz Gustavo Trotta, sócio da Valor Investimentos.

Bolsas internacionais e Ibovespa

Nos EUA, as bolsas S&P 500 e Nasdaq registraram altas de 1,46% e 2,02%, respectivamente, em novos recordes de fechamento. Os índices já haviam renovado as marcas na quinta-feira passada (30) e nesta terça (5). No Brasil, as ações de Vale e C&A foram destaque no Ibovespa, com altas de 3,62% e 7,06%, respectivamente. A mineradora foi impulsionada pela alta internacional do minério de ferro, e a varejista, pelo balanço positivo do primeiro trimestre.