Justiça do Amazonas condena suspeito a 66 anos por duplo homicídio em Manaus
A Justiça do Amazonas emitiu, nesta terça-feira (24), uma sentença severa contra Antônio Márcio Silva de Castro, condenando-o a 66 anos, 10 meses e 15 dias de prisão em regime fechado. O réu é acusado de assassinar a tiros sua ex-companheira, Manuella Sabrina Barros Queirós, de 23 anos, e o namorado dela, Victor Hugo de Oliveira Flores, de 27 anos, dentro de uma kitnet localizada na Zona Norte de Manaus.
Crime premeditado e motivado por ciúmes
O duplo homicídio ocorreu no dia 8 de junho de 2025, no bairro Novo Aleixo, e foi classificado pela Polícia Civil como premeditado e motivado por ciúmes. O julgamento aconteceu no Fórum Enoch Reis, em Manaus, onde Antônio foi processado pelos crimes de feminicídio e homicídio qualificado.
O Conselho de Sentença rejeitou integralmente os argumentos apresentados pela defesa. Os advogados do réu tentaram classificar o crime contra Manuella como homicídio simples e alegaram legítima defesa no caso de Victor Hugo. No entanto, o Ministério Público sustentou a condenação por feminicídio, enquadrando o ato no contexto de violência doméstica, com agravante por ter sido cometido na presença de um filho da vítima.
Detalhes da condenação e execução da pena
Pelo feminicídio de Manuella Sabrina, Antônio Márcio recebeu uma pena de 48 anos, 1 mês e 15 dias. Já pelo homicídio qualificado de Victor Hugo, a condenação foi de 18 anos e 9 meses. O juiz determinou a execução provisória da pena e negou ao réu o direito de recorrer em liberdade, ordenando que ele inicie imediatamente o cumprimento da sentença em regime fechado.
Cenário do crime e envolvimento de crianças
Testemunhas relataram que o casal estava na kitnet quando o suspeito chegou de carro. Moradores ouviram uma discussão acalorada, seguida por vários disparos de arma de fogo. Duas crianças estavam no imóvel no momento do crime, incluindo a filha de 4 anos de Antônio e Manuella.
Victor Hugo faleceu no local, enquanto Manuella foi socorrida e transportada ao Hospital e Pronto-Socorro Platão Araújo, mas não resistiu aos ferimentos graves. Após o crime, Antônio Márcio fugiu, mas se apresentou dias depois na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). Sua chegada à delegacia foi marcada por tumulto, com familiares das vítimas tentando agredi-lo.
Histórico de violência e medidas protetivas
De acordo com investigações da Polícia Civil, Manuella havia denunciado o ex-companheiro por ameaças em 2023 e solicitado medidas protetivas. Contudo, essas medidas foram posteriormente revogadas a pedido da própria vítima, um fato que destaca a complexidade e os riscos contínuos em casos de violência doméstica.
Este caso reforça a importância da aplicação rigorosa da lei em crimes de feminicídio e homicídio qualificado, especialmente quando envolvem crianças e um histórico de violência. A condenação de Antônio Márcio serve como um alerta sobre as consequências graves de atos de violência motivados por ciúmes e descontrole emocional.



