Divinópolis registra primeiro feminicídio do ano; namorado é preso e julgamento tem início
O julgamento de Cleison Alves da Silva, de 33 anos, acusado de matar a namorada Tauane de Oliveira Braga, de 29 anos, começou na manhã desta sexta-feira (27) no fórum de Divinópolis. Este caso marca o primeiro feminicídio registrado na cidade no ano, ocorrido em maio de 2025 na casa da vítima, localizada no bairro Jardinópolis.
Detalhes do crime e investigação
Segundo a Justiça, o inquérito policial aponta que Cleison matou Tauane por asfixia, motivado por ciúmes e uma discussão considerada fútil. As filhas da vítima, com idades de 6 e 9 anos na época, estavam na residência durante o crime, mas dormiam e não presenciaram o ato diretamente. A Polícia Militar (PM) informou que o casal morava juntos há apenas três meses, em um relacionamento que tinha menos de seis meses de duração.
Após cometer o crime, Cleison deixou o imóvel e ligou para seu irmão, confessando o assassinato. O irmão então acionou a PM, que ao chegar ao local encontrou o portão trancado e precisou arrombá-lo. As crianças estavam assustadas e desorientadas, com uma delas relatando aos policiais que a mãe estava caída no chão do quarto e não respondia. Vizinhos foram chamados para acolher as duas menores, enquanto a vítima foi encontrada ao lado da cama, com sinais de asfixia, incluindo mãos, pés e face arroxeados e uma meia dentro da boca.
Fuga e prisão do acusado
A perícia posterior confirmou que Tauane foi sufocada, possivelmente com o auxílio de um travesseiro, para impedir que gritasse por socorro. Cleison fugiu em uma motocicleta, mas foi localizado e preso no mesmo dia em Nova Serrana. Durante as investigações, a polícia ouviu o pai das filhas de Tauane, que revelou ter tido um relacionamento de 11 anos com ela e que, após a separação, ela e as crianças se mudaram. Ele também mencionou que Tauane estava insatisfeita com o novo relacionamento e, na madrugada do crime, ela teria ligado informando sua intenção de se separar de Cleison.
O irmão da vítima corroborou essas informações, acrescentando que Tauane passou a residir com o acusado cerca de três semanas após conhecê-lo. A investigação apurou que Cleison teria ficado com ciúmes ao ver Tauane conversando com o ex-marido, levando a uma discussão que culminou no estrangulamento com um golpe conhecido como “mata-leão”.
Enquadramento legal e agravantes
O Ministério Público qualifica o crime com base no motivo fútil e na asfixia, enquadrando-o também como feminicídio, por ter sido cometido em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher. Além disso, consta que Cleison já estava em cumprimento de pena anterior, o que pode incidir na agravante da reincidência em caso de condenação. O julgamento segue em andamento, com a Justiça analisando as provas e testemunhas para determinar a sentença.
Este caso chama a atenção para a gravidade da violência de gênero e a importância de medidas preventivas e punitivas em situações de risco. A comunidade de Divinópolis e autoridades locais estão acompanhando de perto o desfecho judicial, esperando que a justiça seja feita para a memória de Tauane e o bem-estar de suas filhas.



