Pai e madrasta que se diziam pastores são presos por tortura e morte de adolescente em Porto Velho
Pastores autoproclamados presos por tortura e morte de adolescente

Pai e madrasta que se autointitulavam pastores são presos por morte brutal de adolescente em Porto Velho

Um caso chocante de violência doméstica e abuso religioso veio à tona em Porto Velho, Rondônia, com a prisão do pai e da madrasta de uma adolescente encontrada morta com sinais evidentes de tortura prolongada. Callebe José da Silva e Ivanice Farias de Souza, que se apresentavam publicamente como pastores da congregação "Ministério Profético Apocalipse", foram detidos pelas autoridades policiais sob suspeita de tortura com resultado morte, cárcere privado, maus-tratos e omissão de socorro.

Detalhes macabros do crime e versões contraditórias dos acusados

O corpo da adolescente Marta Isabelle dos Santos, de apenas 16 anos, foi descoberto em condições deploráveis dentro da residência do casal, localizada no setor chacareiro de Porto Velho. Segundo relatos das investigações, a vítima foi encontrada deitada em uma cama, coberta por um lençol e utilizando fralda descartável, com o corpo apresentando desnutrição extrema, ossos expostos, ferimentos infestados por larvas e marcas que indicavam imobilização por vários dias consecutivos.

Durante os depoimentos à polícia, os acusados apresentaram versões contraditórias sobre os motivos que levaram ao confinamento e à deterioração da saúde da adolescente. Ivanice Farias de Souza alegou que o pai da menina não permitia que ela saísse de casa ou mantivesse relacionamentos amorosos, justificando assim a decisão de mantê-la presa. A madrasta também afirmou que nunca buscou ajuda das autoridades ou acionou serviços de emergência porque era constantemente ameaçada de morte pelo próprio marido.

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Por sua vez, Callebe José da Silva declarou que a filha apresentava comportamento "muito agressivo" e que, para proteger a segurança da esposa, decidiu amarrar a adolescente. Quando questionado diretamente sobre o estado físico crítico da filha, o pai afirmou desconhecer completamente o que havia acontecido, enquanto Ivanice admitiu que cuidava das feridas e tinha plena consciência da gravidade da situação de saúde da enteada.

Contestação familiar e vida anterior da vítima

A versão apresentada pelo casal foi veementemente contestada por familiares da adolescente. Uma das tias de Marta Isabelle relatou à imprensa que a menina era "amada por todos", tinha grande paixão por cantar durante os cultos religiosos e mantinha o sonho de concluir seus estudos formais. A parente revelou ainda que a adolescente havia sido retirada da escola há quase três anos, fato confirmado pela Secretaria de Educação local.

"Dizem que a gente sabia, mas não sabíamos de nada. Se soubéssemos, jamais teríamos permitido. Eles privaram ela de tudo: celular, redes sociais, contato com a família", desabafou a tia da vítima, destacando o completo isolamento imposto à adolescente pelos acusados.

Um vídeo que circulou nas redes sociais mostra a adolescente cantando animadamente durante um culto religioso, sendo este, segundo familiares, o último registro em vida ao qual tiveram acesso antes do trágico desfecho. A mãe biológica de Marta e outros parentes próximos residem no estado da Paraíba, mantendo contato limitado com a adolescente nos últimos anos.

Atuação religiosa dos acusados e extensão das investigações

Nas plataformas digitais, Callebe e Ivanice compartilhavam regularmente a rotina da congregação "Ministério Profético Apocalipse", publicando vídeos e fotografias das celebrações, pregações e momentos de convivência com outros frequentadores da igreja. O casal, que mantém relacionamento há aproximadamente quatro anos, utilizava as redes sociais para construir uma imagem pública de dedicados líderes religiosos.

Além do pai e da madrasta, a avó paterna da adolescente, Benedita Maria da Silva, também foi detida pelas autoridades, ampliando o círculo de investigação sobre as circunstâncias que levaram à morte da jovem. A Rede Lilás, organização dedicada ao enfrentamento da violência contra mulheres, manifestou profunda preocupação com o caso através de sua coordenadora Rosimar Francelino, que destacou a necessidade de maior atenção aos sinais de violência doméstica em contextos religiosos.

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As investigações continuam em andamento para apurar todos os detalhes deste crime que chocou a comunidade de Porto Velho e levantou importantes discussões sobre abuso de autoridade religiosa, violência familiar e a proteção de adolescentes em situações de vulnerabilidade.