Mulher e filho são resgatados de cárcere privado em Araras após 26 anos de violência
Uma mulher de 42 anos e seu filho de 13 anos foram resgatados na noite de sábado (7), no Centro de Araras, interior de São Paulo, após viverem em situação de cárcere privado por anos. O marido dela, de 56 anos, foi preso em flagrante e permanece à disposição da Justiça. Ele é o pai do adolescente.
Crimes registrados e investigação em andamento
De acordo com a Guarda Civil Municipal (GCM), a ocorrência foi registrada por crimes de sequestro e cárcere privado, ameaça, abandono intelectual, injúria e violência psicológica contra a mulher. A delegada da Delegacia da Mulher (DDM) responsável pelo caso, Evelyn Kafa, afirmou que a vítima mantinha um relacionamento com o suspeito havia 26 anos.
Segundo a delegada, a polícia investiga há quanto tempo a mulher e o filho estavam em situação de cárcere privado. "Não há data específica para o cárcere privado, mas de relacionamento foram 26 anos, ela começou a namorar ele com 13 e piorou com o nascimento do filho. Se antes do filho nascer já era mantida dessa forma, não sei dizer. A violência doméstica durou o tempo todo de relacionamento, mas o cárcere não sabemos ainda, e acredito que nem ela vai saber dizer", informou a delegada.
Condições de isolamento e controle extremo
Ainda segundo a delegada, a casa tinha restrições de acesso e algumas janelas estavam vedadas com madeira. A vítima saía de casa apenas em raras ocasiões e sempre acompanhada pelo companheiro.
"A vítima relatou que nunca ia sozinha ao supermercado ou fazia ligações para a família sem que ele estivesse por perto. Ela era obrigada a andar de carro com a cabeça abaixada também para não ser vista por ninguém. Na casa era fechado o acesso à rua, as janelas de casa eram tapadas com madeira para que ela não pudesse abrir essas janelas e pedir socorro", afirmou a delegada.
Como foi realizado o resgate
Segundo a GCM, a equipe realizava patrulhamento quando foi abordada por um parente da vítima que pediu ajuda, afirmando que a mulher estava vivendo em cárcere privado e precisava ser socorrida. "Nós, a família, estamos muito aliviados de ver ela fora do cativeiro. Graças a Deus ela decidiu pedir socorro. Vamos fazer de tudo para amparar ela e o filho", disse a parente.
Os agentes foram até o endereço indicado e conseguiram retirar do local a vítima e o filho dela, de 13 anos. Conforme a guarda, o adolescente nunca frequentou a escola por proibição do pai e é analfabeto. A mulher relatou que o marido estava trabalhando a cerca de duas ruas da residência e que havia uma arma de fogo dentro do veículo dele.
Os agentes foram até o local, abordaram o suspeito e fizeram buscas, mas encontraram apenas uma réplica de arma de fogo dentro do carro. A vítima e o filho foram levados para atendimento médico e, em seguida, encaminhados à delegacia. O homem foi preso em flagrante.
Relatos das vítimas e da família
A mulher contou às autoridades que sofria ameaças constantes de morte e que era impedida de sair de casa sozinha havia anos. Segundo ela, o companheiro também não permitia que o filho frequentasse a escola. Ela disse ainda que pretendia registrar boletim de ocorrência contra o marido.
A irmã da vítima afirmou que passou a desconfiar da situação há cerca de um ano, após receber ligações nas quais a mulher relatava episódios de violência doméstica. Segundo a familiar, o suspeito controlava o contato da esposa com parentes, restringia visitas e até o uso do telefone. Ela também relatou que o homem dizia possuir uma arma de fogo e que já teria agredido a mulher em outras ocasiões.
O caso chama a atenção para a gravidade da violência doméstica prolongada e o isolamento forçado, destacando a importância da denúncia e da ação rápida das autoridades para proteger vítimas em situações de risco extremo.



