Mulher com histórico de 10 boletins contra ex é enterrada após feminicídio em Botucatu
O corpo de Júlia Gabriela Bravin Trovão, de 29 anos, foi enterrado em Botucatu, interior de São Paulo, após ela ser vítima de um feminicídio cometido pelo ex-companheiro, Diego Sansalone, de 38 anos. O crime ocorreu no último sábado, 21 de fevereiro, quando Júlia e seu atual companheiro, Diego Felipe Corrêa da Silva, de 34 anos, foram baleados dentro de um carro na Avenida Cecília Lourenção, no Residencial Ouro Verde.
Histórico de violência e falhas na proteção
Júlia havia registrado um total de 10 boletins de ocorrência contra Diego Sansalone ao longo dos últimos cinco anos, envolvendo crimes como ameaça, injúria, difamação, dano e descumprimento da guarda compartilhada do filho do casal, um menino de 8 anos. Apesar desse histórico, apenas uma das três medidas protetivas solicitadas por ela foi concedida pela Justiça, com duração de apenas 90 dias em abril de 2022. Dois pedidos mais recentes, incluindo um feito na véspera do crime, foram negados.
Os primeiros registros datam de maio de 2021, e os casos se acumularam até fevereiro de 2026, com episódios de agressão verbal, danos a propriedades e até um empurrão dois dias antes do ataque. Em outubro de 2022, Diego Sansalone chegou a ser preso por não pagamento de pensão alimentícia, sendo liberado após quitar o débito. Amigos de Júlia relataram que ele não aceitava o fim do relacionamento e demonstrava comportamento agressivo, incluindo ciúmes excessivos.
Detalhes do ataque e consequências trágicas
No dia do crime, Diego Sansalone efetuou diversos disparos contra o veículo onde estavam Júlia, Diego Felipe e duas crianças – o filho do casal e uma menina de 7 anos, filha de Diego Felipe. As crianças não foram atingidas, mas Diego Felipe morreu no local após perder o controle do carro e colidir contra um poste. Júlia foi socorrida em estado grave e morreu na terça-feira, 24 de fevereiro, no Hospital das Clínicas de Botucatu.
Após o ataque, o suspeito fugiu com o próprio filho, mas foi preso no domingo, 22 de fevereiro, em uma estrada rural entre Botucatu e Pardinho. Ele confessou o crime e não ofereceu resistência. A criança foi levada à Polícia Civil pelo avô paterno. Na casa do suspeito, a polícia encontrou uma caixa de pistola calibre 9 milímetros aberta, com estojos de munição deflagrados. Diego Sansalone é registrado como Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC).
Investigações e repercussões
O caso foi registrado inicialmente como homicídio qualificado, tentativa de feminicídio, tentativa de homicídio contra menores de 14 anos e sequestro. Com a morte de Júlia, a investigação passou a ser de feminicídio. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) informou que casos de medidas protetivas tramitam sob segredo de Justiça, limitando comentários sobre as decisões que negaram a proteção a Júlia.
Além dos boletins registrados por Júlia, três ocorrências envolveram seu nome como parte denunciada, todas feitas por Diego Sansalone, alegando questões como não uso de cadeirinha para o filho e descumprimento da guarda compartilhada. Este trágico episódio ressalta os desafios no combate à violência doméstica e a necessidade de sistemas mais eficazes de proteção às vítimas.



