Caso Marta Isabelle: MP denuncia família por tortura e morte de adolescente em RO
MP denuncia família por tortura e morte de adolescente em RO

Caso Marta Isabelle: MP denuncia família por tortura e morte de adolescente em Rondônia

O Ministério Público de Rondônia (MP-RO) apresentou denúncia nesta segunda-feira, 16 de setembro, contra o pai, a madrasta e os avós paternos de Marta Isabelle dos Santos, adolescente de 16 anos encontrada morta em condições extremamente degradantes na residência onde vivia, localizada em Porto Velho, capital do estado. De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Civil, a jovem era mantida em cárcere privado e submetida a torturas constantes, em um cenário de violência doméstica chocante.

Condições desumanas e agressões sistemáticas

O inquérito policial revelou que Marta Isabelle era obrigada a se alimentar com restos de comida destinados a animais, dormia diretamente no chão e, em diversos momentos, era amarrada com fios na cama para impedir sua saída do quarto. A adolescente não tinha acesso a água potável nem a condições básicas de higiene, vivendo em um ambiente completamente insalubre. Quando foi encontrada pelas autoridades, ela estava deitada em uma cama, coberta por um lençol e utilizando uma fralda descartável, em estado lastimável.

Laudo aponta desnutrição grave e ferimentos infestados

O laudo pericial inicial indicou que a vítima apresentava desnutrição severa, com ossos expostos, ferimentos cheios de larvas e marcas evidentes de imobilização prolongada. A polícia suspeita que a família tenha tentado apagar vestígios do crime ao queimar roupas no local, em uma tentativa frustrada de encobrir os fatos. A delegada Leisaloma Carvalho, responsável pelo caso, afirmou que Marta estava presa dentro da própria casa há aproximadamente dois meses, isolada do convívio social e sem qualquer assistência.

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Motivações e acusações formais

Segundo os depoimentos colhidos durante as investigações, a madrasta participava ativamente das agressões e demonstrava ciúmes em relação à adolescente, chegando ao ponto de cortar seu cabelo bem curto. O pai, descrito como controlador e autoritário, havia retirado Marta da escola há quase três anos, intensificando seu isolamento. O Ministério Público denunciou formalmente Callebe José da Silva (pai), Ivanice Farias de Souza (madrasta), Benedita Maria da Silva (avó) e Manoel José da Silva (avô). Pai e madrasta foram indiciados pelos crimes de feminicídio, tortura com resultado morte, cárcere privado, maus-tratos e omissão de socorro, conforme detalhado pela polícia.

Repercussão e busca por defesa

O caso gerou comoção nacional e levantou debates urgentes sobre violência doméstica e proteção a adolescentes vulneráveis. As autoridades continuam os esforços para localizar a defesa dos suspeitos, enquanto a sociedade civil organiza campanhas de conscientização e apoio às vítimas de abusos familiares. A tragédia de Marta Isabelle serve como um alerta sombrio para a necessidade de mecanismos mais eficazes de denúncia e intervenção em situações de risco dentro do ambiente doméstico.

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