Petrobras anuncia lucro de R$ 32,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026
A Petrobras encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 32,6 bilhões, uma queda de 7,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O cenário internacional de volatilidade no mercado de petróleo, o aumento dos investimentos e os efeitos ainda limitados da guerra entre Irã e Israel influenciaram o balanço da companhia. Apesar da retração, a estatal anunciou a distribuição de R$ 9,3 bilhões em dividendos aos acionistas e registrou um recorde histórico de produção de petróleo e gás natural, atingindo uma média de 3,2 milhões de barris equivalentes por dia entre janeiro e março.
Resultado abaixo das expectativas do mercado
O lucro veio abaixo das projeções de parte do mercado financeiro. O Ebitda, indicador operacional que mede a geração de caixa, ficou em R$ 61,7 bilhões, inferior à mediana das estimativas dos analistas. A companhia atribuiu parte da redução do lucro a efeitos cambiais e ao aumento dos investimentos, especialmente na área de exploração e produção. Sem itens extraordinários, como a valorização do real frente ao dólar, a Petrobras afirma que o lucro ajustado teria sido de R$ 23,8 bilhões, praticamente estável na comparação anual.
Guerra no Oriente Médio ainda não impactou totalmente o balanço
Embora o trimestre tenha coincidido com a escalada militar no Oriente Médio e a disparada do preço internacional do petróleo, a Petrobras informou que os efeitos mais fortes da crise ainda não apareceram em seus resultados financeiros. Isso ocorre devido ao intervalo entre o embarque do petróleo exportado e o reconhecimento da receita. Grande parte das vendas da companhia para o mercado asiático é precificada com base nas cotações do mês anterior à chegada da carga ao destino. Na prática, a alta recente do barril de petróleo deve impactar mais fortemente os resultados do segundo trimestre. O petróleo Brent, referência internacional, teve média de US$ 80,6 por barril no primeiro trimestre, alta moderada de 6,5% em relação ao mesmo período de 2025. Após o agravamento do conflito envolvendo o Irã e ameaças ao fluxo marítimo no estreito de Ormuz, os preços ultrapassaram a marca de US$ 100 por barril e seguem em patamares elevados. Analistas do setor avaliam que a continuidade da tensão na região pode beneficiar empresas exportadoras de petróleo no curto prazo, como a Petrobras, mas também aumenta os riscos de inflação de combustíveis e pressão política sobre preços internos.
Produção recorde impulsionada pelo pré-sal
A produção recorde registrada pela Petrobras foi puxada principalmente pela expansão das operações no pré-sal, que segue como principal fonte de crescimento da companhia. Do total produzido no trimestre, cerca de 2,5 milhões de barris por dia corresponderam apenas ao petróleo. Novos sistemas de produção entraram em operação nos últimos meses, ampliando a capacidade de extração em campos estratégicos da costa brasileira. Os investimentos da estatal somaram US$ 5,1 bilhões no trimestre, alta de 25,6% na comparação anual, com cerca de 87% desse valor destinado ao segmento de exploração e produção. O aumento dos aportes ocorre em um momento em que a gestão da companhia busca ampliar reservas e acelerar projetos considerados prioritários pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, incluindo refinarias, fertilizantes e expansão da infraestrutura energética.
Refinarias operam perto do limite
A Petrobras também elevou a produção de combustíveis para reduzir a dependência de importações em um momento de forte pressão internacional sobre diesel e querosene de aviação. As refinarias da companhia operaram com fator de utilização de 95% no trimestre, acima dos 90% registrados um ano antes. Em março, o índice ultrapassou 97%, o maior nível desde 2014. A produção de diesel S-10 bateu recorde, chegando a 512 mil barris por dia. Com isso, as importações de diesel realizadas pela companhia caíram 26%. O diesel foi justamente um dos produtos mais impactados pela crise no Oriente Médio. Segundo dados do mercado internacional, os preços subiram mais de 90% em poucas semanas após o início do conflito. Para conter os impactos sobre consumidores e transportadores, o governo federal zerou tributos federais sobre combustíveis e lançou programas temporários de subsídio. A Petrobras aderiu às medidas e ampliou a oferta doméstica para reduzir a exposição do país ao mercado externo.
Dívida sobe e mercado acompanha estratégia da estatal
A dívida bruta da Petrobras encerrou março em US$ 72,1 bilhões, alta de 2% em relação ao fim de 2025. Segundo a companhia, o crescimento decorre principalmente de novas captações realizadas para financiar investimentos e alongar o perfil da dívida. O mercado acompanha com atenção o equilíbrio entre expansão de investimentos, política de dividendos e intervenção do governo na estratégia da empresa. Desde 2023, investidores demonstram preocupação com a possibilidade de aumento da participação estatal em decisões comerciais da companhia, especialmente na política de preços dos combustíveis e no ritmo de distribuição de dividendos. Ao mesmo tempo, a forte geração de caixa da Petrobras continua sendo um dos principais pilares das contas públicas brasileiras, tanto pela arrecadação de impostos quanto pelos dividendos pagos à União, principal acionista da estatal.



