Tragédia familiar em Goiás: mãe pediu fim de proteção antes de ser assassinada pela filha
Um caso chocante de violência doméstica abalou a cidade de Guapó, em Goiás, revelando um trágico desfecho familiar. Maria de Lourdes Alves de Jesus, de 62 anos, foi encontrada morta a facadas dentro de sua própria residência na madrugada de domingo, dia 25. O crime teria sido cometido pela própria filha, Karem Murielly de Jesus Oliveira, de 34 anos, que foi presa em flagrante e agora responde por homicídio qualificado com agravantes de feminicídio e violência doméstica.
Vídeo revelador antes da tragédia
Um elemento crucial surgiu durante as investigações da Polícia Civil: um vídeo gravado pela própria vítima antes do crime. Nas imagens, Maria de Lourdes se identifica claramente e faz um pedido formal à Justiça. "Eu fiz uma medida protetiva contra a minha filha e quero retirar. Eu a amo muito e não quero mais", declarou a senhora na gravação, que foi anexada ao inquérito policial e encaminhada ao Poder Judiciário.
Segundo o delegado André Veloso, responsável pelo caso, o material foi juntado aos autos como parte do histórico de conflitos familiares. "Várias pessoas foram ouvidas e todas confirmaram que ela ligou avisando que tinha matado a mãe. Também foi anexado o vídeo em que a vítima pede a retirada da medida protetiva", explicou o investigador.
Cena do crime e testemunha infantil
Imagens de câmeras de segurança capturaram momentos cruciais do fatídico dia. As gravações mostram Karem chegando à casa da mãe acompanhada de sua filha de apenas 5 anos. Horas mais tarde, a suspeita deixou o imóvel com a criança, que segundo a polícia, presenciou todo o crime. A situação da menina preocupa as autoridades, que avaliam a necessidade de uma escuta especializada pelo Ministério Público.
O delegado Veloso ponderou sobre o procedimento: "Como o crime já está bem comprovado, talvez essa oitiva seja dispensada para evitar a revitimização e novos traumas", afirmou, demonstrando preocupação com o impacto psicológico na criança.
Confissão e motivação do crime
Horas após o assassinato, Karem entrou em contato com uma prima e confessou ter matado a própria mãe. A parente imediatamente alertou outros familiares, que acionaram a polícia. A suspeita foi localizada em Goiânia e presa em flagrante, tendo sua prisão posteriormente convertida em preventiva.
Durante interrogatório, Karem fez declarações perturbadoras. Ela afirmou não ter afeto pela mãe e que cometeu o crime por vontade própria, chegando a declarar que só parou de desferir golpes porque se cansou. A Polícia Civil informou que, até o momento, não há histórico psiquiátrico que justifique a solicitação de exame de sanidade mental, e que a defesa não fez pedido nesse sentido.
Investigções em andamento
Os laudos periciais ainda não determinaram o número exato de golpes desferidos contra Maria de Lourdes, mas as investigações seguem aprofundando os detalhes do caso. O Tribunal de Justiça de Goiás já definiu as qualificadoras do crime, incluindo feminicídio e violência doméstica, agravantes que podem aumentar significativamente a pena.
O caso expõe dramaticamente as complexidades da violência familiar, onde medidas de proteção podem ser revogadas por sentimentos conflitantes, resultando em desfechos trágicos. A comunidade de Guapó e familiares das envolvidas lidam com as consequências desse crime que chocou a região.



