Governo do RJ suspende compra de helicóptero Black Hawk após suspeitas
RJ suspende compra de Black Hawk após suspeitas

O governo em exercício do Rio de Janeiro decidiu suspender a compra de um helicóptero Black Hawk destinado à Polícia Militar. A decisão foi tomada após a identificação de uma série de problemas no processo licitatório e suspeitas de que a aeronave poderia ser usada ou conter peças de segunda mão. O Black Hawk, fabricado pela Sikorsky Aircraft, é um helicóptero militar multifuncional conhecido por sua resistência e capacidade operacional em combate, utilizado em missões de transporte de tropas, resgate e ações táticas.

Problemas na licitação

Investigações do g1 revelaram que pelo menos duas empresas participantes da concorrência estavam ligadas ao mesmo empresário, Fernando Carlos da Silva Telles, de 55 anos, conhecido como Tico-Tico. Ele já esteve envolvido em outras licitações públicas e, em alguns casos, suas aeronaves apresentaram problemas para administrações públicas. Telles apareceu como representante da Flyone, enquanto a Blue Air, vencedora da licitação, tem como diretor de operações seu sobrinho, Daniel de Sousa Freitas da Silva Telles.

O Ministério Público Federal investiga acidentes com aeronaves da Flyone no Acre, quando Tico-Tico era responsável pela empresa. O contrato com o governo federal previa transporte de alimentos e medicamentos para povos originários. O g1 não conseguiu contato com Telles ou seu sobrinho.

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Valor e suspeitas

A aquisição do helicóptero blindado custaria US$ 12,6 milhões, cerca de R$ 70,3 milhões na cotação da época. A justificativa era a necessidade de um equipamento com forte blindagem para atuar em áreas conflagradas. No entanto, o valor chamou atenção por ser muito inferior ao pago pela Aeronáutica, que adquiriu 11 Black Hawks em 2025 por uma média de US$ 20,9 milhões cada unidade. Essa diferença levantou suspeitas de que o helicóptero poderia ter peças de segunda mão.

A Blue Air, vencedora da licitação, mantém sedes em Jacarepaguá e Alagoas, atuando em táxi aéreo e serviços aeromédicos. A empresa não enviou representantes à audiência pública realizada pela PM, enquanto a Flyone, presente, não apresentou proposta.

Ligações suspeitas

Renato Carriço dos Santos, representante da Blue Air, apareceu em vídeo ao lado do ex-governador Cláudio Castro e do secretário da PM para anunciar a compra. Carriço trabalhou na Ancoratek, empresa que teve Fernando Telles como proprietário e foi investigada pela Marinha após um acidente em 2023. Daniel Telles, sobrinho de Fernando, é diretor de operações da Blue Air e está licenciado da Polícia Rodoviária Federal desde 2024.

Suspensão e riscos operacionais

O governo em exercício, liderado pelo desembargador Ricardo Couto, concluiu que nenhum recurso foi liberado para a compra. Além das suspeitas, há preocupações com a funcionalidade do Black Hawk em operações urbanas: a aeronave, com cerca de quatro toneladas, exige áreas maiores para pouso e pode causar danos a telhados devido à força das hélices. Uma equipe da PM chegou a ser enviada ao Alabama para treinamento, mas o contrato previa gasto de US$ 1 milhão, que não foi pago.

O governo informou que iniciou uma ampla revisão de contratos, e a compra do Black Hawk permanece suspensa enquanto passa por análise de conformidade. A reportagem não localizou os envolvidos para comentar.

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