Homem é preso após enteada de 13 anos denunciar abusos em questionário escolar em Santa Maria
Homem preso após denúncia de enteada em questionário escolar

Homem é preso após enteada de 13 anos denunciar abusos em questionário escolar em Santa Maria

Um homem de 42 anos foi preso preventivamente em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul, depois que sua enteada, uma adolescente de apenas 13 anos, denunciou supostos abusos sexuais em uma ficha disponibilizada pela escola onde ela estuda. A prisão ocorreu no sábado, dia 14, e a identidade do suspeito não foi divulgada pelas autoridades policiais.

Denúncia através de documento escolar

De acordo com o relato da menina, os abusos teriam começado quando ela tinha 11 anos de idade. A adolescente revelou o caso em um documento entregue a crianças e adolescentes para compartilhamento de informações sobre possíveis casos de violência. Este documento é oferecido para alunos em todas as escolas do município de Santa Maria, como parte de uma iniciativa municipal de proteção à infância.

Segundo a delegada Luiza Sousa, essas fichas são distribuídas para toda a rede de educação e, quando alguma ocorrência que envolva crime é notada pelas escolas, a polícia é imediatamente acionada. Neste caso específico, a vítima teria relatado por escrito que era abusada pelo padrasto e que também se automutilava.

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Revelações chocantes e ameaças

“Instauramos um procedimento, e foi bem surpreendente, porque a mãe não sabia de nada quando foi chamada na delegacia. Em depoimento, a menina revelou que os abusos tinham acontecido até o dia anterior”, afirmou a delegada Luiza Sousa. A polícia ainda informou que o padrasto seguia ameaçando a vítima constantemente.

“Ele dizia que, se ela contasse algo, ele mataria ela e a mãe. Diante desse temor, ela nunca teve forças para relatar, de pedir socorro até então”, completou a autoridade policial. Essas ameaças graves explicam por que a adolescente manteve silêncio por tanto tempo, encontrando coragem apenas através do anonimato proporcionado pelo questionário escolar.

Fichas escolares impulsionam denúncias

O documento que permitiu a denúncia foi criado por um Comitê de Escuta Especializada da Prefeitura de Santa Maria. A delegada explica que o grupo, que reúne Conselho Tutelar e outros órgãos municipais, encontra-se mensalmente para tratar de assuntos referentes à proteção de crianças e adolescentes.

Somente em 2025, a Polícia Civil local recebeu impressionantes 400 fichas com indicativos de crimes ou abusos contra menores. Luiza Sousa destaca que a ficha “impessoalizou a denúncia”, e isso fez com que as denúncias aumentassem significativamente na região.

“Havia muito receio de represálias por parte do denunciante. A escola assina a ficha, não é uma professora, é a instituição. Se tornou fácil a comunicação”, comentou a delegada sobre a eficácia do sistema.

Como funciona o questionário de proteção

A criança ou adolescente que passa por algum tipo de abuso responde perguntas específicas sobre qual é o tipo de violência sofrida, quem é o suposto agressor e há quanto tempo ocorre a violência. Há ainda um campo para que a vítima descreva a situação detalhadamente, cite fatos anteriores e dê sua impressão pessoal sobre o que está acontecendo.

Este mecanismo tem se mostrado fundamental para identificar casos que, de outra forma, permaneceriam ocultos devido ao medo e à intimidação sofridos pelas vítimas. A delegada reforça que a iniciativa tem salvado muitas crianças e adolescentes de situações de violência prolongada.

A prisão preventiva do homem de 42 anos representa um passo importante na proteção da adolescente e na responsabilização do suposto agressor. O caso continua sob investigação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, que trabalha para reunir todas as evidências necessárias para o processo judicial.

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