Uma discussão sobre a segurança das filhas terminou em agressão física registrada por câmeras de segurança em Armação dos Búzios, na Região dos Lagos do Rio. O episódio, ocorrido na noite de terça-feira (13), envolveu um homem e sua ex-companheira e foi presenciado por vizinhos. O caso foi encaminhado à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Cabo Frio.
O início do conflito
De acordo com o relato da vítima à polícia, a situação começou por telefone. O ex-marido ligou para uma das filhas do casal, pedindo que a criança descesse sozinha até a rua para encontrá-lo e seguirem juntos para uma praça. A mãe não autorizou o trajeto, por considerá-lo longo, escuro e perigoso para o horário.
Após a negativa, o homem teria iniciado uma série de ofensas verbais, chamando a ex-companheira de "louca" e "maluca". A mulher afirmou que propôs que ele fosse até o portão da casa buscar as crianças, mas ele se recusou. Ela então encerrou a ligação e bloqueou o contato.
Agressão em via pública
Cerca de 20 minutos depois, o homem teria ido até a residência da ex-mulher e começado a gritar em frente ao imóvel. A vítima desceu para conversar, e a discussão continuou na rua. Segundo seu depoimento, ao insistir que as filhas não desceriam sozinhas, o ex-marido iniciou as agressões físicas. A mulher não possuía medida protetiva contra ele na ocasião.
Ela decidiu formalizar a denúncia por contar com provas concretas: as imagens das câmeras de segurança do local e o relato de testemunhas que presenciaram a violência. Após o ocorrido, foi registrado um boletim de ocorrência e solicitado um pedido de medida protetiva de urgência, com base na Lei Maria da Penha.
A versão do acusado e os próximos passos
Em seu depoimento, o homem apresentou uma versão diferente dos fatos. Ele afirmou que foi ao local apenas para buscar as filhas e levá-las à praça, como seria de costume. Segundo ele, normalmente as crianças descem a rua enquanto ele sobe, e eles se encontram em frente a uma igreja próxima.
Ele disse que considerou "exagerada" a preocupação da ex-companheira, que alegou medo de sequestro ou violência. O homem reconheceu que houve uma discussão em via pública ao chegar à casa e que foi xingado. Admitiu ter "perdido o controle" e empurrado a mulher, reconhecendo o erro, mas negou ter desferido socos ou tapas. Afirmou que, após o empurrão, apenas conteve a ex-esposa e que não houve novas agressões.
O caso segue sob apuração da Polícia Civil. A solicitação de medida protetiva foi encaminhada ao Poder Judiciário, que irá analisar o pedido. As imagens das câmeras e os depoimentos das testemunhas serão peças fundamentais para a conclusão da investigação.