Funcionária de joalheria é morta em shopping após anos de ameaças do ex-companheiro em São Bernardo
Funcionária morta em shopping após anos de ameaças do ex em SP

Funcionária de joalheria é assassinada em shopping após anos de perseguição e ameaças

A morte de Cibelle Monteiro Alves, de apenas 22 anos, dentro de uma joalheria no shopping Golden Square, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, na última quarta-feira (25), representa o trágico desfecho de uma história de violência que se arrastava há pelo menos três anos. Segundo investigações da Polícia Civil, o ex-companheiro da vítima, Cássio Henrique da Silva, de 25 anos, não aceitava o fim do relacionamento, que durou mais de cinco anos, e transformou a vida da jovem em um verdadeiro inferno.

Histórico de violência psicológica e ameaças constantes

A TV Globo teve acesso a mensagens trocadas entre Cássio e Cibelle que revelam a extensão da violência psicológica praticada pelo agressor. Em uma das conversas, ele intimida a ex-namorada, afirmando que, mesmo bloqueado, encontraria maneiras de entrar em contato. “Sempre apareço”, escreveu ele, demonstrando uma postura de perseguição implacável. Em outra mensagem, ameaçou ligar repetidamente caso continuasse sendo ignorado.

As ameaças chegaram até ao sistema bancário. Em junho do ano passado, Cássio enviou um PIX de apenas um centavo para a conta de Cibelle, utilizando o campo de descrição do pagamento para registrar uma intimidação direta: “vai ver o que é inferno de verdade”. Este ato simbólico ilustra o nível de crueldade e assédio que a jovem enfrentava diariamente.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Medidas protetivas ignoradas e falhas no sistema

O terror vivido por Cibelle se estendia ao seu cotidiano mais básico. Em mensagens enviadas a uma amiga, ela relatou que o ex-companheiro estava na portaria do prédio onde morava, mesmo com uma medida protetiva em vigor. A jovem contou que acionou a polícia naquele momento, expressando medo de que ele invadisse o condomínio, que possuía uma entrada sem portaria. Segundo seu relato, Cássio esteve no local por volta das 23h28, mas a polícia chegou somente cerca de uma hora e meia depois, quando ele já havia ido embora.

Ao longo do ano passado, Cibelle registrou diversos boletins de ocorrência para denunciar a violência sofrida. Em um deles, ela deixou claro que não desejava mais qualquer tipo de contato. Em resposta, o ex afirmou que a decisão “não cabia só a ela”, demonstrando total desrespeito pela autonomia e vontade da vítima. O delegado responsável pelo caso confirmou que este não foi o primeiro registro feito por Cibelle. De acordo com a polícia, foram três boletins de ocorrência desde 2023, sendo o primeiro registrado quando o casal ainda estava junto, por agressões verbais e comportamento violento, o que resultou na concessão de medidas protetivas pela Justiça.

O ataque premeditado e cruel dentro do shopping

Na última quarta-feira, Cássio entrou na joalheria onde Cibelle trabalhava portando uma réplica de arma e uma faca. Ele fez reféns a jovem e outras funcionárias, e em seguida esfaqueou Cibelle no pescoço. Logo após o ataque, ainda dentro da loja, o agressor enviou um áudio à família assumindo o crime. “Eu matei a Cibelle. Está cheio de polícia aqui”, diz a mensagem de voz. Quando a polícia conseguiu acessar o estabelecimento, a jovem já estava morta.

De acordo com a investigação, tratou-se de um ataque premeditado, cruel e extremamente violento, que durou menos de dois minutos. Policiais balearam Cássio nas pernas durante a intervenção. Ele está internado sob escolta, e a Justiça já decretou sua prisão preventiva. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que as investigações prosseguem por meio de inquérito policial instaurado pela Equipe de Investigações sobre Homicídios da DEIC São Bernardo do Campo.

Repercussão e relatos de testemunhas

O shopping Golden Square emitiu uma nota lamentando a morte da funcionária e afirmando que está oferecendo apoio à família. “O shopping lamenta o caso de feminicídio contra a funcionária de uma de suas lojas na noite desta quarta-feira (25/2) e se solidariza à família. O shopping está oferecendo todo o apoio ao lojista, à família da vítima e está à disposição das autoridades”, diz o comunicado.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Nas redes sociais, testemunhas relataram momentos de pavor durante os disparos. Um cliente contou que precisou sair correndo após ouvir os tiros, enquanto familiares de funcionários afirmaram que trabalhadores ficaram trancados em banheiros e almoxarifados. “Estava comprando um relógio e tive que sair correndo. Muito ruim a cena que eu vi”, afirmou um internauta. Outra testemunha disse: “Minha irmã também trabalha no shopping. Ela estava com as vendedoras trancadas no almoxarifado”. O shopping foi completamente isolado para o trabalho das equipes da perícia.

A Secretaria da Segurança Pública confirmou que o caso foi registrado como feminicídio e está sendo investigado pela DEIC de São Bernardo do Campo. Este trágico episódio evidencia a urgência de discussões mais profundas sobre a eficácia das medidas protetivas e a necessidade de um sistema mais ágil e eficiente no combate à violência doméstica e de gênero no Brasil.