Tragédia familiar em Montes Claros: filho mata pais idosos com violência extrema
Uma cena de horror abalou o bairro Santa Rafaela, em Montes Claros, na noite de quinta-feira (26). Otaviano de Jesus Ribeiro, de 72 anos, e Izabel da Conceição Santos Antunes, de 66 anos, foram brutalmente assassinados dentro da própria casa pelo filho, Reginaldo Santos Ribeiro, de 37 anos. O casal, descrito por amigos como "pessoas trabalhadoras e maravilhosas", teve suas vidas interrompidas de forma violenta pelo próprio descendente.
Detalhes chocantes do crime
A Polícia Militar foi acionada após receber ligações relatando agressões na residência da família. Ao chegarem ao local, os policiais encontraram Reginaldo sentado calmamente no sofá, segurando uma barra de ferro e um pedaço de madeira, ambos visivelmente sujos de sangue. Após ser algemado, os militares descobriram os corpos dos pais: o idoso estava no banheiro com ferimento contuso na cabeça, enquanto a mulher jazia perto da porta da cozinha com um corte profundo no rosto.
O sobrinho das vítimas, de 26 anos, também foi atacado durante o episódio. O jovem conseguiu fugir para a casa de um vizinho, apresentando cortes na cabeça, e foi encaminhado pelo Samu para a UPA do Chiquinho Guimarães. Em seu relato, ele afirmou que o tio discutiu com os pais por motivos desconhecidos e, ao tentar intervir, foi agredido violentamente.
Ausência de arrependimento e alegação de 'visão'
Durante depoimento à Polícia Civil de Minas Gerais, Reginaldo não demonstrou qualquer sinal de remorso pelos atos cometidos. Conforme detalhou a delegada Francielle Drumond, o homem alegou ter agido motivado por uma "visão" na qual acreditava que o pai tentaria abusar sexualmente dele. "Ele demonstrou consciência dos fatos, sabia que havia praticado um feminicídio contra a mãe e um homicídio qualificado contra o pai", explicou a autoridade policial.
A investigação revelou um histórico preocupante de violência por parte do filho. Em 2011, o pai registrou queixa após o filho arremessar uma cadeira em sua direção. Dois anos depois, em 2013, a mãe relatou ter sido ameaçada de morte pelo mesmo descendente. Reginaldo também informou às autoridades que faz acompanhamento relacionado à saúde mental e utiliza medicamentos regularmente.
Reação da família e comunidade
Luzia Ferreira, irmã de Izabel, expressou profunda dor e choque com a tragédia. "Foi um choque muito grande, estamos muito abalados. Minha irmã era uma pessoa maravilhosa, muito trabalhadora. Trabalhávamos na roça desde pequenas", compartilhou emocionada. Ela lembrou ainda que a irmã já havia enfrentado outras perdas dolorosas, incluindo dois filhos mortos em um acidente.
Teodoro Oliveira Souza, amigo da família há mais de duas décadas, descreveu o casal como "pessoas muito boas" e destacou o impacto devastador do ocorrido. "Éramos praticamente família. Ele era muito trabalhador e ela uma pessoa maravilhosa. É uma tristeza muito grande, eles não mereciam nada disso", lamentou.
Desfecho trágico e investigações em andamento
Os corpos de Otaviano e Izabel foram velados em Montes Claros na sexta-feira (26) e sepultados no sábado (27). As armas do crime - a barra de ferro e o pedaço de madeira - foram apreendidas pela perícia, enquanto os corpos foram encaminhados ao Posto Médico Legal para exames mais detalhados.
A delegada Francielle Drumond ressaltou a complexidade do caso, observando que a violência extrema aplicada contra os próprios pais sugere uma morte lenta e dolorosa. A Polícia Civil avalia a possibilidade de solicitar uma avaliação mais aprofundada da situação mental do acusado, considerando suas alegações e histórico médico.
Reginaldo Santos Ribeiro permanece preso à disposição da Justiça, enquanto a comunidade de Montes Claros tenta processar a perda de um casal que dedicou a vida ao trabalho e à família, encontrando um fim trágico nas mãos de quem deveria protegê-los.



