Feminicídio na Zona Norte de SP: Priscila, 22 anos, deixa três filhos após ser espancada
Feminicídio em SP: Priscila, 22 anos, deixa três filhos órfãos

Feminicídio na Zona Norte de São Paulo: Priscila Versão, 22 anos, deixa três filhos após ser espancada pelo companheiro

Priscila Versão, uma jovem de 22 anos que trabalhava como autônoma e residia na Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, foi vítima de feminicídio na última segunda-feira (23). Ela foi espancada e morta pelo seu companheiro, o motorista Deivit Bezerra Pereira, de 35 anos, que foi preso em flagrante pelo crime. Priscila deixa três filhos pequenos, com idades de seis anos, quatro anos e apenas seis meses, todos frutos do relacionamento com o acusado.

Relacionamento abusivo e histórico de violência

Segundo a mãe da vítima, Selma Alves Ribeiro da Silva, Priscila vivia um relacionamento abusivo e tóxico há aproximadamente cinco anos. Selma, que trabalha como faxineira, relatou com os olhos marejados que a filha já havia sofrido outros episódios de violência durante esse período. "Ela era guerreira, lutava pela felicidade dela e dos filhos. Só que, infelizmente, ela estava dentro de um relacionamento abusivo e tóxico. Ela estava doente emocionalmente e eu lutei com todas as minhas forças, fiz o que eu pude e o que eu não pude. Fiz de tudo para ela sair desse relacionamento", desabafou Selma em entrevista à TV Globo.

A mãe ainda expressou sua dor profunda: "Quando um homem bate em uma mulher, ele não está batendo só nela, ele está batendo na mãe dela. Meu coração está despedaçado. Eu sei que ela não vai voltar mais." Selma também compartilhou suas preocupações financeiras, já que agora terá que criar os três netos sozinha. "Acabou para mim, não acredito em mais nada, não quero fazer mais nada, não vai ter como eu fazer mais nada. Não vai ter como eu trabalhar de dia ou como entrar em uma empresa de noite, porque eu tenho que cuidar dos filhinhos dela. Estou de mãos atadas", afirmou.

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Detalhes do crime e prisão do acusado

O crime ocorreu após Priscila e Deivit estarem em uma festa na Avenida Julio Bueno, no Jardim Brasil. De acordo com relatos familiares, a agressão teria acontecido dentro do carro por volta das 4h30. Priscila foi levada pelo companheiro ao Hospital Municipal Vereador José Storopoli, no Parque Novo Mundo, já sem sinais de vida.

O Guia de Encaminhamento de Cadáver descreveu que a vítima apresentava marcas de agressão, hematomas e escoriações pelo corpo, além de um sangramento no nariz. As roupas de Priscila tinham cheiro de gasolina, um detalhe alarmante que surgiu durante a investigação. De acordo com o boletim de ocorrência, Deivit chegou ao hospital com Priscila já morta e ameaçando atear fogo ao próprio corpo.

Após se acalmar, o acusado explicou aos policiais militares que ele e a companheira estavam em um pagode num boteco quando brigaram. Ele então foi até um posto de combustível, comprou gasolina e despejou no próprio corpo com a intenção de se suicidar, mas desistiu. Deivit contou que resolveu voltar ao bar, mas, antes de chegar, viu Priscila jogada no chão com um sangramento no nariz, pegou-a e a levou ao hospital. A defesa de Deivit não foi localizada até a última atualização da reportagem.

Conexão com outro caso de feminicídio

Priscila era amiga de Tainara Souza Santos, também vítima de feminicídio, que morreu em dezembro após ter as pernas amputadas ao ser atropelada e arrastada por um homem até a Marginal Tietê. As duas jovens moravam no mesmo bairro, destacando um triste padrão de violência contra mulheres na região. Este caso ocorreu em um contexto onde São Paulo registrou dois feminicídios em menos de 24 horas, levantando alertas sobre a gravidade da violência doméstica na cidade.

Selma, a mãe de Priscila, finalizou com uma mensagem de pesar e justiça: "Ele vai se arrepender do que ele fez", refletindo a busca por responsabilização em meio à tragédia familiar. A história de Priscila Versão serve como um triste lembrete dos perigos dos relacionamentos abusivos e da urgência em combater a violência de gênero no Brasil.

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