Ex-companheiro mata farmacêutica e atual parceiro em ataque a tiros em Botucatu, SP
Uma farmacêutica e o atual companheiro dela foram baleados em um ataque a tiros no sábado (21), em Botucatu, interior de São Paulo. Ele morreu no local, e ela não resistiu aos ferimentos e faleceu na terça-feira (24). O suspeito do crime é o ex-companheiro da mulher, Diego Sansalone, que foi preso e confessou informalmente a ação.
Detalhes do crime e histórico de violência
A farmacêutica Júlia Gabriela Bravin Trovão, de 29 anos, já havia registrado vários boletins de ocorrência e solicitado medida protetiva contra o ex, que foi negada pela justiça um dia antes do ataque. Júlia e o companheiro dela, Diego Corrêa da Silva, de 34 anos, foram baleados enquanto estavam dentro de um carro. No veículo também estavam o filho de Júlia com o suspeito e a filha de Corrêa, de outro relacionamento. As duas crianças não sofreram ferimentos graves.
O casal estava junto há quatro anos. Após os disparos, Corrêa perdeu o controle do carro e bateu em um poste. Depois do acidente, Sansalone fugiu com o filho dele com a vítima, de 8 anos. A menina foi deixada no local e acolhida por moradores. Júlia e o parceiro foram atingidos na cabeça.
Investigação e prisão do suspeito
O relacionamento da vítima com Sansalone acabou em 2021, após quatro anos. Corrêa morreu no local e Júlia foi socorrida com vida. Ela ficou internada em estado gravíssimo no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, mas não resistiu e morreu na terça-feira (24). O suspeito foi detido na tarde de domingo (22) em uma área rural entre os municípios de Botucatu e Pardinho (SP). O menino foi encontrado, sem lesões, na casa de familiares do suspeito no domingo.
O delegado seccional Lourenço Talamonte Neto confirmou que, informalmente, Sansalone confessou o crime e não tentou fugir ao ser abordado pelas autoridades. O suspeito também teria informado que a intenção era matar Corrêa, mas Júlia acabou sendo atingida. O crime é investigado sob segredo de justiça pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Botucatu.
Casos registrados e reações
O caso foi registrado como homicídio, feminicídio, tentativa de homicídio contra menor de 14 anos e sequestro e cárcere privado. "As diligências seguem em andamento e detalhes serão preservados para garantir a autonomia do trabalho policial", informou a SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo). Sansalone passou por audiência de custódia na segunda-feira (23) e segue preso.
Amiga de Júlia, Anne Medeiros, relatou ao Balanço Geral que a farmacêutica foi vítima de agressões de Sansalone desde quando eles ainda estavam juntos. "É um fato que tem um histórico, contexto de anos de agressão, de anos de pedidos de socorro pela Júlia", disse ela. O Conselho Federal de Farmácia lamentou a morte de Júlia e reafirmou solidariedade à família.
Apelo à denúncia e prevenção
Caroline Corrêa, irmã da vítima, expressou dor e revolta: "Para mim era o irmão perfeito, protetor, sempre estava junto em tudo. Protegia a família dele, fazia tudo pelas crianças e pela Júlia". Em casos de violência, é fundamental denunciar:
- Ligue para 190 para episódios de agressão contra mulheres.
- Use o número 180 - Central de Atendimento à Mulher.
- Disque 100 para violações aos direitos humanos.
A Lei Maria da Penha pode ser aplicada em agressões cometidas por parceiros, ex-companheiros ou familiares, reforçando a necessidade de políticas de prevenção e proteção.
