Homem é condenado a 25 anos por feminicídio de ex-companheira grávida em Caucaia
Condenado a 25 anos por feminicídio de grávida em Caucaia

Justiça condena homem a 25 anos por feminicídio de ex-companheira grávida em Caucaia

O Tribunal do Júri da Comarca de Caucaia, no Ceará, condenou nesta terça-feira (24) Ivan da Silva Barros a 25 anos e seis meses de prisão pelo assassinato de sua ex-companheira, Francisca Patrícia Soares, de 27 anos, que estava grávida de cinco meses no momento do crime. O feminicídio ocorreu em junho de 2023, após uma discussão no apartamento onde o casal estava hospedado temporariamente durante uma viagem de trabalho de Ivan.

Detalhes do crime e condenação

Conforme o laudo pericial, Ivan esganou Patrícia até a morte, ato que ele confessou em depoimento à Polícia. O Ministério Público do Ceará (MPCE) pediu a condenação pelo crime de feminicídio qualificado, com agravante de motivo fútil e sem chance de defesa da vítima, além do crime de aborto devido à interrupção da gravidez. O Conselho de Sentença da 1ª Vara Criminal de Caucaia acatou as teses, resultando em 22 anos e seis meses por feminicídio e três anos por aborto, totalizando 25 anos e seis meses de prisão. A Justiça determinou o cumprimento imediato da sentença em regime fechado.

Contexto do relacionamento e eventos anteriores

Patrícia Soares vivia em Tamboril, a 301 quilômetros de Fortaleza, e conheceu Ivan em 2023, quando ele trabalhava em uma empresa de internet que prestava serviços na região. Eles estavam juntos há cerca de quatro meses no momento do crime. Familiares relataram que Ivan demonstrava ciúmes excessivos, dificultando o contato de Patrícia com amigos e, em uma ocasião, destruindo seu celular. Patrícia já estava grávida de um relacionamento anterior quando conheceu Ivan, que inicialmente disse que isso não seria problema.

Últimos momentos e descoberta do crime

Na noite de 12 de junho, horas antes do crime, o casal discutiu, e Ivan tomou o celular de Patrícia. Ela então foi até um vizinho, ligou para a mãe e relatou a situação, dizendo que pretendia comprar uma passagem para voltar a Tamboril na manhã seguinte. Esse foi o último contato entre elas. Na madrugada de 13 de junho, o mesmo vizinho ligou para a mãe de Patrícia, informando que ouviu uma discussão seguida por silêncio. Ao ir até a residência, ele encontrou Patrícia caída no chão com sangue em volta da cabeça, evidenciando a brutalidade do ato.

Este caso reforça a gravidade da violência contra mulheres e a importância da atuação judicial em crimes de feminicídio, especialmente quando envolve vítimas em situação de vulnerabilidade, como a gravidez. A condenação serve como um alerta sobre a necessidade de combater a violência doméstica e proteger os direitos das mulheres no Brasil.