O cantor João Lima foi preso após se entregar à polícia, acusado de agredir a ex-esposa, a médica Raphaella Brilhante. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um pedido de habeas corpus para o artista, que é réu por tentativa de feminicídio. A decisão liminar, publicada nesta quinta-feira (23), foi assinada pelo ministro Carlos Pires Brandão.
Decisão do STJ
Na decisão, o ministro relator indeferiu o pedido de soltura imediata, mas destacou que o mérito do habeas corpus ainda será julgado. Ele justificou que a análise do caso exige mais informações antes de uma decisão definitiva. Para prosseguir com o julgamento, a corte solicitou informações adicionais ao tribunal de origem e o levantamento dos antecedentes criminais do réu. O caso também será encaminhado para manifestação do Ministério Público Federal.
Relembre o caso
O cantor paraibano João Lima passou a ser investigado por violência doméstica contra a ex-esposa, após vídeos divulgados em redes sociais mostrarem agressões. Ele está preso desde o dia 26 de janeiro de 2026, no Presídio do Róger, em João Pessoa. Após a repercussão do caso, a ex-esposa de João Lima publicou um texto nas redes sociais em que confirmou publicamente, pela primeira vez, a violência sofrida. Ela relatou que está enfrentando "uma dor que atravessa o corpo, a alma e a história", e disse que "não há palavras que expliquem o impacto disso na vida de alguém".
Detalhes das agressões
Segundo os autos do processo, as agressões registradas por uma câmera de segurança ocorreram em 18 de janeiro. Na denúncia, João Lima “teria agredido a vítima com socos, apertos na mandíbula e amordaçamento para silenciar seus gritos”. Ainda de acordo com o documento, ele teria entregue uma faca à mulher e mandado que ela se matasse. Três dias depois, o cantor teria ido à casa da mãe da vítima e feito novas ameaças, afirmando que “acabaria com a vida dela caso não reatasse o relacionamento” e que, se ela se envolvesse com outra pessoa, “mataria ambos”.
A advogada da vítima, Dayane Carvalho, afirma que não houve episódios de violência durante os dois anos de namoro. Já depois do casamento, câmeras internas da casa do casal registraram algumas das agressões. A vítima e João Lima se casaram em novembro de 2025, e as agressões começaram ainda na lua de mel. “Cinco dias depois, quando eu estava na minha lua de mel, ele já me bateu.” A defesa da vítima informou que, em um dos episódios registrados, o casal já estava separado, após a vítima pedir um tempo no relacionamento. Nesse período, ela voltou a morar com os pais e ainda não havia contado sobre as agressões.
Como denunciar violência contra a mulher
Denúncias de estupros, tentativas de feminicídios, feminicídios e outros tipos de violência contra a mulher podem ser feitas por meio de três telefones: 197 (Disque Denúncia da Polícia Civil), 180 (Central de Atendimento à Mulher) e 190 (Disque Denúncia da Polícia Militar - em casos de emergência).



