Amiga de mulher arrastada na Marginal Tietê também é vítima de feminicídio em São Paulo
Amiga de vítima da Marginal Tietê também morre por feminicídio

Amiga de mulher arrastada na Marginal Tietê também é vítima de feminicídio em São Paulo

Uma trágica coincidência choca São Paulo e reacende o debate sobre a violência contra mulheres no Brasil. Priscila Versão, de apenas 22 anos, foi morta pelo próprio marido, Deivit Pereira, de 35 anos, na última segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, na capital paulista. A vítima era amiga próxima de Tainara Sousa Santos, que também foi assassinada por feminicídio no ano passado, após ser arrastada por um carro em alta velocidade na Marginal Tietê, em episódio que comoveu o país pela brutalidade.

Versão falsa e marcas de espancamento

De acordo com informações da Polícia Militar, o marido de Priscila procurou um pronto-socorro pedindo ajuda, alegando que havia encontrado a mulher engasgada. No entanto, os policiais consideram esta uma versão falsa, criada para tentar encobrir o crime. A equipe médica que atendeu o caso constatou a morte da jovem e diversas marcas no corpo, indicativas de um violento espancamento.

Segundo apuração preliminar, o casal havia ido a um bar com apresentação de banda de pagode na noite do crime. Uma briga teria começado no local e, segundo testemunhas e investigações iniciais, o marido teria agredido Priscila dentro do carro do casal. Em sua declaração à polícia, Deivit Pereira afirmou que, após a discussão, foi até um posto comprar gasolina com intenção de atear fogo no próprio corpo.

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Ao retornar ao bar, ele disse ter encontrado a mulher desacordada e sangrando na calçada, momento em que começou a buscar socorro. O acusado está preso e aguarda as próximas etapas do processo judicial. Priscila deixa três filhos pequenos, que agora enfrentam a dor da perda da mãe em circunstâncias tão violentas.

Trágica conexão com caso anterior

A amizade entre Priscila e Tainara torna este caso ainda mais chocante. Tainara Sousa Santos foi vítima de feminicídio em 29 de novembro do ano passado, após um desentendimento com Douglas Alves da Silva, que a arrastou com seu carro na Marginal Tietê, zona norte de São Paulo. A vítima permaneceu mais de vinte dias internada no Hospital das Clínicas, onde equipes médicas precisaram amputar suas duas pernas e realizar pelo menos cinco cirurgias.

Douglas Alves da Silva, inicialmente investigado por tentativa de feminicídio, teve o caso reclassificado como feminicídio consumado após a morte de Tainara. Ele também está preso, aguardando julgamento. A pena para feminicídio no Brasil varia de 20 a 40 anos de prisão no regime inicial fechado, mas a impunidade e a repetição de casos como estes mostram que a legislação por si só não é suficiente para proteger as mulheres.

Debate sobre violência contra mulheres

Este duplo caso de feminicídio envolvendo duas amigas expõe de forma crua a epidemia de violência contra mulheres que assola o Brasil. Especialistas em segurança pública e direitos humanos alertam que:

  • O feminicídio é a expressão máxima da violência de gênero
  • Muitas vítimas são assassinadas por parceiros ou ex-parceiros
  • A subnotificação ainda é um problema grave
  • Políticas públicas de prevenção são insuficientes

A coincidência trágica entre as mortes de Priscila e Tainara serve como um alerta sombrio sobre como a violência doméstica e o feminicídio continuam ceifando vidas de mulheres jovens, muitas delas mães, deixando famílias destruídas e crianças órfãs. O caso está sob investigação da polícia e deve seguir para o Judiciário nas próximas semanas, onde se espera que a justiça seja feita para ambas as vítimas e suas famílias.

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