Nove casos de violência contra a mulher em 7 horas alarmam Mato Grosso
Violência contra mulher: 9 casos em 7 horas em MT

Nove casos de violência contra a mulher em 7 horas alarmam Mato Grosso

Em um intervalo de apenas sete horas, Mato Grosso registrou nove casos de violência contra a mulher, abrangendo violência doméstica, psicológica, importunação sexual e até tentativa de feminicídio. Os agressores são, em sua maioria, companheiros atuais ou ex-parceiros das vítimas, com um caso envolvendo um familiar, um adolescente de 15 anos que agrediu a avó. Entre os registros, quatro casos envolveram companheiros atuais, quatro foram cometidos por ex-companheiros e um por um familiar, destacando a proximidade dos agressores com as vítimas.

Casos registrados em diferentes cidades

Os incidentes ocorreram em diversas localidades do estado, com agressões graves e danos materiais. Em Alta Floresta, a 790 km de Cuiabá, um homem de 33 anos foi preso por agredir a esposa de 44 anos com socos no rosto e abdômen após uma discussão. Em Rondonópolis, a 215 km da capital, um ex-companheiro de 33 anos agrediu uma mulher de 21 anos e danificou móveis ao encontrá-la com outra pessoa. Já em Confresa, a 1.060 km de Cuiabá, um homem de 26 anos ameaçou a ex-companheira de 30 anos, invadiu sua casa armado e efetuou disparos de arma de fogo, sendo preso posteriormente.

Em Diamantino, a 182 km de Cuiabá, um homem de 31 anos atingiu a ex-companheira de 30 anos na cabeça com uma cadeira, necessitando de atendimento médico. Em Lucas do Rio Verde, a 332 km da capital, um namorado de 42 anos empurrou e agrediu a parceira, também de 42 anos, causando danos emocionais e físicos. Em outro caso em Rondonópolis, um ex-companheiro invadiu uma casa e feriu um homem de 29 anos com uma faca ao tentar agredir a vítima, fugindo em seguida.

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Tentativa de feminicídio e violência extrema

Em Paranatinga, a 411 km de Cuiabá, uma mulher de 42 anos foi esfaqueada pelo companheiro de 35 anos em um caso tratado como tentativa de feminicídio, sendo encontrada ensanguentada na rua. Em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, um homem de 44 anos foi preso por ameaçar a esposa de 45 anos e o filho com armas, com apreensão de pistola, revólver e munições. Em Canarana, a 630 km da capital, uma avó de 58 anos solicitou medida protetiva contra o neto de 15 anos, que apresentou comportamento agressivo com ameaças e destruição de objetos.

Medidas protetivas e estatísticas preocupantes

Segundo a delegada Ana Paula Reveles Carvalho, coordenadora da área de enfrentamento à violência contra a mulher da Polícia Civil, Mato Grosso registrou 3.750 medidas protetivas em 2026 até o momento. Em 2025, foram 18.223 pedidos, com 2.418 descumpridos. As medidas, previstas na Lei Maria da Penha, protegem mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, podendo ser solicitadas em casos de agressões físicas, psicológicas, morais, patrimoniais ou sexuais. De acordo com o Observatório Caliandra, até 17 de março de 2026, mais de 8 mil casos de violência doméstica foram registrados, com cerca de 2.987 sendo ameaças.

A medida protetiva pode ser feita pela vítima, de forma presencial ou online, com o juiz tendo até 48 horas para decidir. Elas não têm prazo fixo e continuam válidas enquanto houver risco. No entanto, a delegada afirma que nem todas as vítimas pedem proteção, citando motivos como dependência emocional, esperança de mudança do agressor, medo de represálias e dependência financeira. Em alguns casos, a vítima tenta preservar a família ou é desencorajada por pessoas próximas a formalizar a denúncia.

Ação policial e serviços de apoio

A delegada explicou que, em casos de violência doméstica, a polícia pode agir mesmo sem registro de boletim de ocorrência ou pedido de medida protetiva, pois muitos crimes são de ação pública incondicionada. Ao solicitar a medida, a vítima recebe acolhimento, avaliação de risco e orientação sobre direitos e serviços disponíveis. Em casos graves, a Polícia Civil pode adotar medidas de proteção sem pedido da vítima. Algumas unidades contam com psicólogos e assistentes sociais para atendimento especializado.

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A Justiça pode determinar afastamento do agressor do lar, proibição de contato, restrição de aproximação, proibição de frequentar locais específicos e suspensão da posse de arma de fogo. A mulher pode ser encaminhada para casa de abrigo, retirar pertences com apoio policial, receber acompanhamento psicossocial, ter filhos transferidos para escolas próximas, acesso à Patrulha Maria da Penha e programas como auxílio-aluguel.

Feminicídios no estado e casos recentes

Segundo dados do Observatório Caliandra, Mato Grosso registrou 7 feminicídios em 2026 até o momento, com três mulheres mortas em uma única semana, duas sem solicitar medida protetiva. Casos incluem Gabia Socorro da Silva, 38 anos, morta pelo marido em março de 2026; Estefane Pereira Soares, 17 anos, assassinada pelo irmão; e Simone da Silva Matiuzi, 35 anos, atropelada pelo namorado. Outras vítimas são Luciene Naves Correia, 51 anos, morta a tiros pelo ex-marido; Laila Carolina Souza da Conceição, 29 anos; Ana Paula Lima Carvalho, 48 anos; e Jaqueline de Araújo dos Santos, 40 anos, todas vítimas de feminicídio.

Esses casos destacam a urgência no combate à violência contra a mulher em Mato Grosso, com a necessidade de fortalecer medidas protetivas e conscientização para interromper o ciclo de violência.