Denúncias de violência contra LGBTQIA+ sobem 70% no estado de SP
Violência contra LGBTQIA+ sobe 70% em SP

As denúncias de violência contra a população LGBTQIA+ no estado de São Paulo registraram um aumento de 70% nos primeiros quatro meses de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados são do Disque 100, canal nacional de denúncias de violações de direitos humanos, que recebeu mais de 1,2 mil registros específicos contra esse grupo. Quando consideradas todas as violações, o total ultrapassa 7,4 mil casos, representando uma alta de 91%.

Relatos de agressão e discriminação

O cabeleireiro Tony Lima, de Vinhedo (SP), foi vítima de agressão após um problema com o carro. Ele contou que, ao parar o veículo, foi abordado por um homem que se identificou como policial. "Ele já desceu me arrastando pelo cabelo e começou a proferir palavras de agressão", relatou. Populares intervieram, e o agressor fugiu. Tony decidiu denunciar o caso publicamente: "O respeito não tem que ser um privilégio, tem que ser um direito para todos".

Já o estudante João Ribeiro Oliveira sofreu discriminação em um pensionato em Campinas. A responsável pelo local telefonou para a família reclamando de objetos como maquiagem e fantasias, além do uso do banheiro. João deixou o local, registrou boletim de ocorrência e procurou o Ministério Público. "Não é novidade que a população LGBT muitas vezes é expulsa de casa. A situação me revoltou como um todo", afirmou.

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Violência nem sempre é física

João destacou que a violência pode ocorrer de diversas formas, não apenas com agressão direta. "Não é só xingar ou agredir que o preconceito existe", disse. O psicólogo Ronaldo Alexandrino explicou que essas situações impactam a vida das vítimas, gerando medo de se expressar. Ele defende a importância de uma rede de apoio e acolhimento, inclusive no momento da denúncia.

Aumento nas denúncias e canais de ajuda

O crescimento das denúncias pode estar relacionado à maior divulgação do Disque 100 e à possibilidade de anonimato, que encoraja mais vítimas a buscarem ajuda. O serviço funciona 24 horas, inclusive fins de semana e feriados. Também é possível procurar delegacias e órgãos de apoio para formalizar a denúncia.

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