Lula diz a governador do RJ para prender 'milicianos' que comandaram estado
Lula orienta governador do RJ a prender milicianos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gerou polêmica ao afirmar, durante evento no Rio de Janeiro, que se a Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) indicasse o representante do Executivo estadual, 'viria um miliciano'. A declaração foi feita na inauguração da nova sede do Centro Tecnológico em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), na capital fluminense, e direcionada ao governador em exercício, Ricardo Couto.

Reação de Douglas Ruas

O presidente da Alerj, deputado estadual Douglas Ruas (PL-RJ), criticou duramente a fala de Lula. Em vídeo publicado nas redes sociais no domingo (24), Ruas afirmou que o presidente desrespeitou a Assembleia ao fazer 'ataques generalizados'. Ele também é pré-candidato ao Governo do Estado. 'Lula veio ao Rio e, mais uma vez, desrespeitou nosso povo, fazendo ataques generalizados. Lula e o seu aliado Eduardo Paes não têm moral para dar lição ao Rio de Janeiro sobre o combate ao crime organizado', disse Ruas, referindo-se ao ex-prefeito da capital, também pré-candidato ao Palácio Guanabara.

Douglas Ruas foi eleito presidente da Alerj em 17 de abril, após a cassação do mandato de Rodrigo Bacellar. A perda do mandato ocorreu com a anulação dos votos obtidos por ele nas eleições de 2022, em um processo que também atingiu outros envolvidos, como o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ). No julgamento, ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entenderam que houve abuso de poder político e econômico, com uso indevido de estruturas públicas, como a Fundação Ceperj e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), impactando diretamente o processo eleitoral.

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Críticas de Márcio Canella

O prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil-RJ), pré-candidato ao Senado e ex-deputado estadual, também comentou as falas do presidente. Para ele, Lula desrespeitou a Constituição e a Alerj ao fazer uma generalização durante o evento. 'Lula veio ao Rio e, ao lado do governador interino, que utiliza como cabo eleitoral, fez uma fala generalizada, desrespeitando a Constituição e a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro', afirmou. Canella ainda questionou a atuação do governo federal no combate às milícias e ao tráfico de drogas.

Discurso de Lula

Durante o discurso, Lula afirmou que o governo federal pretende auxiliar Ricardo Couto em ações voltadas à Segurança Pública, incluindo a aplicação de leis de enfrentamento às facções criminosas. Ele também voltou a defender a recriação do Ministério da Segurança Pública, caso o Senado aprove a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia a atuação da União no setor. 'Você [Ricardo Couto], que não precisou pedir voto. Eu nunca tinha te visto, mas, quando começou esse processo de votação na Assembleia Legislativa, pensei: 'Se a Assembleia indicar, virá o mesmo'. Ia vir um miliciano. Então, aproveite estes seis meses que você tem e faça o que muita gente não fez em 10 anos neste estado', disse Lula.

O presidente se referiu à tentativa do grupo político de Cláudio Castro de realizar uma eleição indireta na Alerj para definir o sucessor do governo estadual, iniciativa que foi barrada por decisões judiciais. 'Não é possível que um estado tão poderoso e tão bonito seja governado por miliciano. O povo do Rio não merece isso. Já tivemos um juiz governador, que foi um fiasco. Então, você [Couto] precisa honrar o Poder Judiciário e mostrar que é possível consertar o Rio de Janeiro. O Rio não pode ocupar apenas as páginas policiais', concluiu.

Nota da Alerj

Em nota, a Alerj afirmou que respeita as instituições da República e espera reciprocidade por parte de todas as autoridades, incluindo o presidente. 'É inaceitável qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar o Parlamento fluminense e seus representantes eleitos pelo povo do Rio de Janeiro. A Alerj é uma instituição democrática, legítima e merece respeito. O Rio de Janeiro enfrenta desafios históricos na segurança pública, muitos deles relacionados à ausência de políticas nacionais eficazes, ao tráfico de armas, às fronteiras abertas ao crime organizado e à expansão das facções criminosas em todo o país', diz o texto.

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