Polícia Federal nega porte de armas para Força Municipal do Rio de Janeiro
PF nega porte de armas para Força Municipal do Rio

Polícia Federal nega autorização para porte de armas da Força Municipal do Rio

A Polícia Federal emitiu parecer contrário ao pedido da Prefeitura do Rio de Janeiro para concessão de porte de armas aos integrantes da recém-criada Força Municipal. A decisão, fundamentada em análise jurídica detalhada, representa um revés significativo para a administração municipal, que investiu mais de R$ 60 milhões na formação e equipamento dos agentes.

Base legal da decisão federal

O documento oficial da PF, ao qual o RJ2 teve acesso exclusivo, argumenta que "a criação de uma força de elite armada, com atuação ostensiva e perfil militarizado, extrapola a função constitucional" das guardas municipais. Segundo a análise, tal iniciativa invade competências exclusivas das polícias militares e da União, violando o ordenamento jurídico brasileiro.

O parecer enfatiza que as guardas municipais possuem caráter civil e função preventiva, limitada à proteção de bens, serviços, logradouros públicos e instalações municipais. A PF citou ainda precedente do Supremo Tribunal Federal que declarou inconstitucional lei similar no estado de Goiás por violar princípios do concurso público.

Posicionamento da Prefeitura do Rio

Em nota oficial, a administração municipal defendeu a legalidade da iniciativa, afirmando que "todos os agentes que realizaram o curso de formação para a Divisão de Elite da GM-Rio - Força Municipal são guardas municipais selecionados em processo interno". A prefeitura destacou que o treinamento foi aplicado pela Polícia Rodoviária Federal e pela Secretaria Nacional de Segurança Pública.

A nota completa esclarece que "o processo está em curso e todos os trâmites legais e devidos prazos estão sendo cumpridos pelo município", acrescentando que "todos os equipamentos estão comprados e homologados", incluindo 1.500 pistolas já entregues em cerimônia na Superintendência Regional da PRF.

Contexto operacional e investimentos

Os 600 guardas municipais que compõem a Força Municipal iniciaram seu treinamento especializado em setembro de 2025, quando a prefeitura inaugurou academia específica para formação dos agentes. O prefeito Eduardo Paes havia explicado anteriormente que a força armada municipal atuaria em "roubos e furtos, com missões claras e comandos específicos", liberando agentes da PM para outras frentes de combate à criminalidade.

A legislação municipal que criou a Divisão de Elite permite contratação de agentes por prazo determinado de um ano, prorrogável por até cinco vezes, dispositivo que também foi questionado na análise federal.

Desdobramentos jurídicos e políticos

Fontes ouvidas pelo RJ2 revelaram que a prefeitura solicitou revisão da decisão junto à Polícia Federal no Rio, pedido que foi negado. Atualmente, o caso encontra-se em análise em Brasília, onde devem ser definidos os próximos passos deste impasse institucional.

A Polícia Federal manteve-se em silêncio sobre o caso, limitando-se ao parecer técnico já divulgado. O embate entre competências municipais e federais na área de segurança pública promete gerar debates prolongados sobre o modelo constitucional de atuação das guardas municipais brasileiras.