STJ anula prisão de quadrilha de agiotas que movimentou R$ 60 milhões em Franca
STJ anula prisão de quadrilha de agiotas em Franca

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a soltura dos condenados por integrarem uma quadrilha de agiotagem que movimentou mais de R$ 60 milhões em Franca, interior de São Paulo. A decisão também anulou o acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que, em abril deste ano, havia determinado o retorno dos réus à prisão.

Entendimento do STJ

No acórdão anterior, a 8ª Câmara de Direito Criminal do TJ-SP entendeu que os acusados, condenados em novembro de 2025, não deveriam permanecer em liberdade por representarem risco à ordem pública e às provas do processo. Contudo, ao proferir a nova decisão, o ministro Ribeiro Dantas, do STJ, considerou que não foi demonstrada a necessidade da prisão preventiva. O magistrado ressaltou que a medida exige fundamentação específica e proporcionalidade, não podendo basear-se em presunções genéricas.

Habeas corpus e extensão da decisão

O posicionamento do STJ ocorreu em resposta a um pedido de habeas corpus feito pela defesa de um dos réus. Embora o habeas corpus não tenha sido concedido, a anulação do acórdão anterior resultou na soltura do requerente. A decisão foi estendida aos demais condenados, conforme listados abaixo:

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  • Rogério Alves dos Santos
  • Thiago Giacomini Cravo
  • Alex Alves dos Santos
  • Alex Sander Henrique da Silva
  • Patrick da Silva Delgado
  • Willian Fernando Alves do Nascimento
  • Wescley Mateus Carlos da Costa
  • Carlos Roberto de Souza
  • Bruno Ricardo de Matos Souto
  • Antônio Henrique Pimenta Mathias
  • Matheus Carrijo Machado
  • Leonardo Carrijo Machado
  • Renata Alves dos Santos
  • Pamela dos Santos
  • Maria Eduarda Teixeira de Almeida

Esquema de agiotagem em Franca

As investigações do Ministério Público, iniciadas por meio da Operação Castelo de Areia, apontaram que as provas reunidas — interceptações telefônicas, análise de transações bancárias e documentos apreendidos — demonstraram permanência, hierarquia e coordenação entre os envolvidos. A quadrilha fazia ameaças de morte aos inadimplentes e a pessoas próximas a eles. Cópias das conversas, obtidas pelo MP com autorização judicial, foram anexadas às denúncias e, segundo os promotores, comprovam a violência empregada pela organização criminosa para recuperar o dinheiro.

Histórico da operação

A primeira fase da Operação Castelo de Areia ocorreu entre novembro de 2023 e janeiro de 2024, quando sete pessoas foram presas suspeitas de movimentar R$ 36 milhões. Em dezembro de 2024, sete pessoas, incluindo um ex-policial, foram condenadas a 20 anos de prisão. No entanto, em decisão de segunda instância, a Justiça absolveu o grupo. Segundo o MP, mesmo com as prisões anteriores, outros integrantes mantiveram a quadrilha ativa e declaravam em conversas que nada os intimidaria e jamais seriam punidos. Isso motivou a segunda fase da operação, em junho deste ano, quando as investigações apontaram uma nova movimentação de aproximadamente R$ 31 milhões.

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