Justiça determina compartilhamento de extratos bancários em investigação contra prefeito de Sorocaba
A Justiça de Sorocaba (SP) decidiu, no dia 9 de maio, que os extratos bancários da empresa AFF Empreendimentos Imobiliários e Participações devem ser compartilhados com a promotoria criminal de São Paulo, que investiga o prefeito Rodrigo Manga (Republicanos), conhecido como “prefeito tiktoker”. A decisão ocorre no âmbito de uma ação popular que apura suspeita de superfaturamento de R$ 10 milhões na compra de um prédio localizado na zona sul da cidade, adquirido por quase R$ 30 milhões para abrigar a Secretaria de Educação do município.
Detalhes da investigação
O imóvel, situado no bairro Portal da Colina, na região do Campolim, foi comprado em 2021, no primeiro ano da gestão de Manga, por um valor inicialmente avaliado em cerca de R$ 19 milhões. O Ministério Público aponta que a diferença de aproximadamente R$ 10 milhões configura superfaturamento. A ação popular foi movida por um morador para questionar a legalidade da transação.
O juiz Alexandre de Mello Guerra acolheu o pedido da Promotoria de Justiça da Competência Originária Criminal, responsável por investigar autoridades com foro privilegiado, como o prefeito. A decisão rejeitou o pedido da AFF Empreendimentos para manter os documentos financeiros em sigilo, argumentando que o sigilo bancário não se sobrepõe ao interesse público na apuração de possíveis danos ao erário.
Condenações anteriores e andamento processual
O caso já resultou em condenações em duas instâncias: dois ex-secretários municipais, um engenheiro aposentado e dois empresários foram condenados por corrupção e fraude. Nessa ação, Rodrigo Manga não é citado. Atualmente, o processo está em fase de alegações finais: as partes têm 10 dias para se manifestar sobre um parecer técnico de engenharia juntado aos autos e, depois, 15 dias para apresentar memoriais escritos. Em seguida, os autos seguem para o Ministério Público para parecer final, antes de retornarem ao juiz para sentença.
Investigação criminal contra o prefeito
Paralelamente, Rodrigo Manga e sua esposa, a primeira-dama Sirlange Frate Maganhato, são investigados pelo Gaeco e pelo Ministério Público no mesmo caso. Mensagens de celular obtidas pela investigação mostram conversas com o ex-secretário de Administração Fausto Bossolo, condenado a 23 anos e quatro meses de prisão. Em uma das mensagens, Manga pergunta se Bossolo conseguiu a avaliação correta do imóvel; em outra, Sirlange questiona se Paulo Henrique Marcelo, outro ex-secretário condenado, conseguiria o laudo. Também são investigados o empresário Marco Mott e o ex-secretário de Educação Márcio Carrara. Nenhum deles se manifestou até o momento.
Posicionamento dos envolvidos
A Prefeitura de Sorocaba, em nota, afirmou que acompanha o caso e está pronta para prestar esclarecimentos. As defesas de Rodrigo Manga e da empresa AFF preferiram não se manifestar.



