Ofensa à honra, divulgação de dados sigilosos e acusação de suborno. Esses são alguns dos detalhes do processo que investiga supostos ataques de Carlinhos Cachoeira ao delegado Francisco Lipari, da Polícia Civil de Goiás. O contraventor goiano foi preso no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e solto horas depois para cumprimento de mandado relativo ao processo de difamação, que está em segredo de Justiça.
Prisão e soltura
Ao g1, a defesa de Cachoeira disse que ele foi preso por não ter sido encontrado para citação do processo, mas que o magistrado que conduz a ação penal revogou a ordem de prisão preventiva e determinou a expedição de contramandado. Disse ainda que Carlinhos encaminhará suas manifestações processuais na forma e prazo legalmente estipulados. O delegado Francisco Lipari não foi localizado pela reportagem.
Ataques em 2024
De acordo com o documento obtido pela TV Anhanguera, Cachoeira teria feito publicações contra o delegado em 2024. Conforme a apuração, o contraventor teria feito os ataques motivados por investigações contra ele e outros familiares que acontecem na Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), onde Francisco Lipari é titular.
Detalhes do processo
1. Informações sigilosas
De acordo com um dos trechos do documento, o delegado Lipari afirma que Cachoeira publicou dados do carro dele que foram extraídos do banco de dados da Administração Pública.
2. Acusação de suborno
No mesmo processo, o contraventor é acusado de ter subornado um agente público para que fizesse a consulta de dados sigilosos do delegado.
3. Ofensa à honra
Entre as acusações de difamação, Cachoeira teria dito que o delegado recebia propina para atuar em uma investigação. Sobre essas questões, em um trecho atribuído ao delegado, o processo aponta que as circunstâncias que motivaram Cachoeira a ofender a honra dos delegados da Deccor seriam o fato de que ele foi investigado em inquérito policial que tramitou na delegacia.
Prazo para defesa
De acordo com a TV Anhanguera, Carlinhos tem um prazo de 10 dias para se apresentar à Justiça de Goiás e se defender das acusações.
Quem é Carlinhos Cachoeira?
O nome de Carlinhos Cachoeira ficou conhecido nacionalmente após comandar esquemas de jogos ilegais e ter sido um dos principais alvos da Operação Monte Carlo, deflagrada pela Polícia Federal em 2012. O caso ganhou grande repercussão após interceptações telefônicas revelarem ligações frequentes entre Cachoeira e o então senador Demóstenes Torres. Antes disso, Cachoeira já havia aparecido em outro escândalo político de repercussão nacional, em 2004, no caso envolvendo Waldomiro Diniz, então assessor da Casa Civil do governo Lula. As penas de Cachoeira somavam mais de 39 anos de prisão, mas ele responde parte dos processos em liberdade após decisões judiciais e recursos da defesa. Carlinhos foi condenado a crimes como corrupção, formação de quadrilha e exploração de jogos ilegais.
Nota da defesa
A prisão decorreu do fato de Carlos Augusto de Almeida Ramos não ter sido encontrado para citação, depois de comunicação por edital. O processo estava indevidamente restrito com segredo de justiça, o que foi apontado pela defesa, que requereu a revogação da prisão cautelar. O magistrado que conduz a ação penal, tão logo informado sobre o comparecimento de Carlos Augusto nos autos e sobre o caráter sigiloso indevidamente registrado no processo, revogou a ordem de prisão preventiva e determinou a expedição de contramandado. O Sr. Carlos Augusto de Almeida Ramos já foi liberado e encaminhará suas manifestações processuais na forma e prazo legalmente estipulados.



