Homem preso com 243 kg de cocaína é condenado a 5 anos em Itu
Preso com 243 kg de cocaína é condenado a 5 anos

A Justiça de Itu (SP) condenou a 5 anos de prisão o homem que foi preso com quase 250 quilos de cocaína e, em uma decisão polêmica, solto por um juiz que alegou 'pouca quantidade' de droga. Na sentença, a juíza negou o benefício de 'tráfico privilegiado' e destacou a 'quantidade exorbitante' do entorpecente. O caso aconteceu em agosto de 2025. A decisão é do dia 1º de abril. Thiago Zumiotti da Silva está preso desde outubro de 2025, dois meses após ser solto na audiência de custódia.

Condenação e pena

Na decisão, a juíza Andrea Ribeiro Borges condenou Thiago Zumiotti da Silva por tráfico de drogas e desobediência. A pena total foi de 5 anos de reclusão em regime semiaberto pelo tráfico, e 15 dias de detenção em regime aberto pela desobediência. A TV TEM apurou que o Ministério Público considerou a pena branda e vai recorrer.

A juíza negou o pedido da defesa para aplicar o 'tráfico privilegiado' (um redutor de pena para réus primários e sem ligação com organizações criminosas). Para ela, a 'quantidade exorbitante' de droga e a 'ousadia demonstrada na fuga' indicam que o réu era uma 'peça fundamental em uma operação de transporte de drogas em larga escala' e não um traficante ocasional.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Equívoco do juiz e a soltura

A condenação ocorre meses após uma polêmica decisão inicial. Em agosto de 2025, logo após a prisão em flagrante, o juiz Marcelo Nalesso Salmaso concedeu liberdade provisória ao réu. Na decisão escrita, o magistrado justificou a soltura citando, entre outros pontos, a 'pouca quantidade' de droga apreendida. A justificativa para os quase 250 kg de cocaína causou grande repercussão.

Dias depois, o próprio juiz admitiu ter havido um 'equívoco', explicando que usou um 'texto-modelo' e que a frase não refletia sua fundamentação verbal. Apesar de corrigir o texto, ele manteve a soltura, que só foi revertida posteriormente pelo Tribunal de Justiça, após recurso do Ministério Público.

A perseguição e a prisão

O caso começou com uma perseguição na Rodovia Castello Branco. Policiais militares receberam a informação de que um Hyundai Creta estaria transportando drogas e iniciaram um acompanhamento tático, que contou com o apoio de um helicóptero Águia. Após cerca de 30 km de fuga em alta velocidade, de Porto Feliz a Itu, o motorista foi cercado e se rendeu. No carro, os policiais encontraram 244 tabletes de pasta base de cocaína, totalizando 243,1 kg.

Em depoimento, o réu confessou que aceitou transportar a droga de Sorocaba a Campos do Jordão por R$ 3 mil, devido a dificuldades financeiras.

Debate entre defesa e acusação

Durante o julgamento, a defesa e a acusação travaram um debate sobre o papel do réu no esquema:

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar
  • Defesa: Argumentou que Thiago era apenas uma 'mula' do tráfico, uma pessoa vulnerável usada por criminosos maiores. Alegou que ele não sabia a quantidade exata de droga e que o benefício do 'tráfico privilegiado' deveria ser aplicado.
  • Ministério Público: sustentou que a enorme quantidade de droga e a logística envolvida provam que ele não era um simples transportador ocasional, mas uma 'engrenagem importante' em uma organização criminosa, não merecendo o benefício.