A Polícia Federal transferiu, nesta sexta-feira (15), o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, de 56 anos, para o sistema prisional federal. Ele é investigado na Operação Compliance Zero e estava detido desde 4 de março, quando foi alvo da terceira fase da operação.
A saída de Marilson de Belo Horizonte foi acompanhada pela equipe do Globocop no Aeroporto da Pampulha. As imagens mostram o investigado deixando um hangar algemado e sendo conduzido até uma aeronave da Polícia Federal, que chegou de Brasília por volta das 11h09.
Segundo a Polícia Federal, Marilson Roseno é apontado como um dos principais operadores do esquema investigado. Ele teria usado sua experiência e contatos na corporação para obter informações sigilosas, além de atuar em ações de vigilância e monitoramento de alvos definidos pela organização criminosa. As investigações indicam que ele coletava dados capazes de antecipar ou neutralizar riscos de investigações oficiais, além de monitorar jornalistas e ex-funcionários ligados ao caso.
Ainda de acordo com a PF, Marilson era considerado a liderança operacional de um núcleo conhecido como “turma”. Os investigadores afirmam que o grupo atuava em benefício do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por meio da obtenção ilegal de informações e da intimidação de pessoas relacionadas às apurações.
A decisão pela transferência foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. Conforme a decisão, mesmo preso, Marilson continuou recebendo informações sobre diligências policiais realizadas fora do presídio, o que, segundo o magistrado, demonstraria a existência de uma rede externa ainda ativa e a capacidade de influência do investigado sobre integrantes do grupo em liberdade.
A Polícia Federal afirma ainda que Marilson recebia ordens do núcleo central da organização e coordenava ações de monitoramento, intimidação e obtenção de dados sigilosos. Conversas extraídas pela investigação mostram uma cobrança feita por Marilson ao empresário Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, relacionada a pagamentos atrasados. Segundo os investigadores, Henrique teria respondido que enviaria R$ 400 mil, valor tratado pela PF como repasse ao grupo investigado.
O objetivo da sexta fase, realizada nesta quinta-feira (15), é aprofundar as investigações sobre suspeitos de integrar uma organização criminosa acusada de praticar intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasão de dispositivos informáticos. Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Também foram determinadas medidas de afastamento de cargos públicos, além de bloqueio e sequestro de bens.
Os investigados podem responder por ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional.



