Pai de Daniel Vorcaro usava número colombiano para se comunicar com organização criminosa
Pai de Vorcaro usava número colombiano em esquema criminoso

O pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, utilizava um número telefônico registrado na Colômbia para se comunicar com outros integrantes da suposta organização criminosa da qual faz parte, conforme aponta a decisão judicial que fundamentou sua prisão nesta quinta-feira (14). A decisão é do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, responsável pela Operação Compliance Zero, que investiga crimes cometidos por Daniel Vorcaro e o Banco Master. Nesta quinta-feira, ocorre a 6ª fase da operação.

Na decisão, Mendonça afirma que os métodos de comunicação de Henrique Vorcaro seguiam um "padrão de ocultação e precaução normalmente associado a estruturas criminosas sofisticadas". Além do número colombiano, Henrique Vorcaro trocava frequentemente de número telefônico. Confira o trecho do documento: "Há elementos que revelam comportamento compatível com atitude suspeita e a tentativa de dificultar a rastreabilidade de suas comunicações. (...) HENRIQUE troca de número telefônico com frequência e que, em momento recente à deflagração da terceira fase da Operação Compliance Zero, passou a utilizar número estrangeiro, registrado na Colômbia. Em juízo sumário, tais circunstâncias se harmonizam com o padrão de ocultação e precaução normalmente associado a estruturas criminosas sofisticadas."

"Marilson" citado no trecho é Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado. Segundo as investigações, Marilson ocupava posição de liderança operacional do núcleo denominado "A Turma". Ele recebia ordens do núcleo central da organização e coordenava a execução delas, sendo o elo entre os mandantes e os executores em atividades de monitoramento, intimidação e obtenção de informações sigilosas. A prática de usar números telefônicos internacionais também era adotada por outro integrante do esquema, Sebastião Monteiro Júnior, policial federal aposentado. De acordo com a decisão judicial, Sebastião usava um número dos Estados Unidos para evitar o rastreio das comunicações.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Confira os trechos que descrevem o comportamento de Sebastião: "Sua conduta se ajustava ao padrão operacional da organização: uso de terminal telefônico internacional, adoção de mensagens temporárias, prevalência de ligações telefônicas em detrimento de trocas escritas e realização de encontros pessoais reservados com o líder do núcleo, tudo com a finalidade, em tese, de reduzir rastros e dificultar a reconstrução probatória das tratativas ilícitas."

Em nota, a defesa de Henrique Vorcaro classificou a prisão como "medida grave e desnecessária". Veja a íntegra: "Constata-se que decisão se baseia em fatos cuja comprovação da respectiva licitude e o lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo. E não estão porque não foram solicitados à defesa e nem a ele. O ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária. Cuidaremos imediatamente de demonstrar a estamos a dizer ainda hoje." O g1 ainda não conseguiu contato com os demais investigados.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar