O Tribunal do Júri em Varginha (MG) julga, nesta quarta-feira (29), o homem acusado de matar o menino Davi Miranda Totti, de apenas 3 anos. Leonardo José Cardoso Azevedo Capitâneo, padrasto da vítima, responde pelos crimes de homicídio qualificado e tortura.
Início da sessão
A sessão teve início por volta das 9h30, na 2ª Vara Criminal e da Infância e da Juventude do fórum da cidade. O caso, que chocou a região, ocorreu em 25 de fevereiro de 2025.
Detalhes do crime
Segundo o boletim de ocorrência registrado na época, Davi foi levado até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) pela mãe e pelo padrasto. A equipe médica acionou a Polícia Militar após constatar a gravidade do quadro de saúde da criança. De acordo com a médica plantonista, o menino deu entrada na unidade com crise convulsiva, apresentando diversos ferimentos e hematomas pelo corpo, lesões no couro cabeludo, sangramento no globo ocular e na boca. A criança também sofreu traumatismo craniano.
Em depoimento, o padrasto afirmou que nada teria acontecido com o menino e que apenas o colocou para dormir antes da chegada da mãe. Ele também disse desconhecer a origem dos ferimentos. O pai da criança, que esteve na UPA, relatou que havia visto o filho pela última vez no dia 22 de fevereiro e que, naquela ocasião, o menino não apresentava sinais de agressão.
Internação e morte
Davi ficou internado por 14 dias no Hospital Regional de Varginha, mas não resistiu aos ferimentos. A morte foi confirmada em 11 de março.
Posições da acusação e defesa
O advogado de acusação, Roberto Massote, afirmou que a família busca entender o crime. "Estamos buscando respostas aos questionamentos sobre esse crime bárbaro. Hoje vai ser muito importante para a resposta dessas perguntas, principalmente a motivação, o porquê de isso ter acontecido", disse.
O advogado do réu, Fábio Gaudêncio, sustenta que houve falhas na acusação e pede a absolvição de Capitâneo. "O foco hoje não é negar a tragédia, mas sim explicar, explanar para o conselho de sentença a realidade e tudo aquilo que foi ignorado pela acusação. A acusação ignorou vários fatores em relação à própria investigação, em relação à extração de celular, fotos antigas, depoimentos de pessoas próximas à vítima, próxima a todos os envolvidos", afirmou.
Situação da mãe
A mãe de Davi chegou a ser investigada por omissão de socorro, mas, segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, não foi denunciada pelo Ministério Público neste processo.
O julgamento segue ao longo do dia e não há previsão de término.



