A Câmara Municipal de Cianorte, no noroeste do Paraná, cassou o mandato do vereador Rafael Araújo (PL) nesta sexta-feira (24), em sessão extraordinária, por quebra de decoro parlamentar. A decisão ocorre após investigação da Polícia Civil do Paraná (PC-PR) que apontou o envolvimento do parlamentar na fabricação e venda de suplementos alimentares falsificados para emagrecimento.
Na votação, todos os nove vereadores presentes votaram a favor da cassação, sem nenhum voto contrário. A defesa de Rafael foi procurada, mas não se manifestou até a última atualização desta reportagem.
Votação unânime
A sessão durou cerca de duas horas e meia. Os vereadores que votaram a favor da cassação foram: Afonso Lima (Avante), Beto Nabhan (PP), Coronel Elias (PP), Jorge Garcia (PSB), Marisa Franco (União Brasil), Professora Kelly (União Brasil), Robson Fagundes (Republicanos), Rodrigo Rezende (PSD) e Thiago Fontes (Republicanos).
A Câmara informou que, nos próximos dias, comunicará a decisão à Justiça Federal. O suplente Wanderley de Paula Barbosa deve ser convocado na próxima semana para assumir o cargo.
Investigação e prisões
Rafael foi eleito em 2024 com 902 votos. Ele foi preso pela primeira vez em 9 de outubro de 2025, durante a operação "Fake Fitness", que investigava a venda de suplementos falsos. Na ocasião, ele e seu irmão, o empresário Rodrigo dos Santos, foram detidos. A polícia encontrou fábricas clandestinas com materiais para envase, rotulagem e distribuição de medicamentos sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Na casa do vereador, foi apreendida uma arma com munições sem registro legal.
Eles foram soltos no mesmo dia com liberdade provisória, mas continuaram sob investigação. Em 8 de dezembro, foram presos novamente de forma preventiva. Laudos periciais comprovaram que as cápsulas vendidas continham sibutramina (inibidor de apetite controlado), fluoxetina (antidepressivo controlado), tadalafila (vasodilatador) e cafeína em altas doses.
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou os irmãos por associação criminosa, falsificação, corrupção e adulteração de produtos terapêuticos ou medicinais. Rafael também responde por posse irregular de arma de fogo.



