Operação contra pastor no MA investiga abusos e trabalho escravo
Operação contra pastor no MA investiga abusos e trabalho escravo

O Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Polícia Federal (PF) realizaram, na manhã desta segunda-feira (27), uma operação na sede da igreja Shekinah House Church, localizada em Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luís. A ação faz parte das investigações contra o pastor David Gonçalves Silva, suspeito de abusos sexuais e punições físicas contra fiéis.

Investigação sobre trabalho análogo à escravidão

De acordo com o MPT, a operação foi motivada por denúncias de que no local poderiam ocorrer casos de trabalho análogo à escravidão. Após as buscas, o órgão informou que não foi identificada nenhuma situação que se enquadre nessa prática neste momento. No entanto, caso surjam indícios ao longo da investigação, intervenções futuras poderão ser realizadas. Foram recolhidos depoimentos e documentos que serão analisados e anexados ao processo.

Novas denúncias e provas

Nos últimos dias, mais de dez pessoas procuraram a polícia para denunciar o pastor. Ele é investigado por estelionato, estupro de vulnerável, posse sexual mediante fraude e associação criminosa. Na sexta-feira (24), um novo vídeo incorporado ao inquérito policial mostra um adolescente em estado de exaustão após ser submetido a punições. Segundo a polícia, ele passou horas em pé, sem dormir, e foi obrigado a escrever durante toda a noite a frase: “Eu preciso aprender a respeitar meu líder”.

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Histórico de castigos e controle

O pastor foi preso no dia 17 de abril. Natural do Ceará, ele é suspeito de aplicar castigos físicos e punições psicológicas a jovens que descumpriam regras impostas por ele. Entre as vítimas, há pessoas do Pará e do Ceará. A polícia afirma que o sistema de punições ajudou o pastor a manter controle sobre cerca de 100 a 150 fiéis por anos. Muitas vítimas estavam em situação de extrema vulnerabilidade e procuraram a igreja em busca de ajuda, como um jovem que chegou ao local aos 13 anos, quando vivia em situação de rua.

Tipos de castigos aplicados

As agressões eram frequentes e tinham nomes específicos. Um dos castigos era chamado de “readas”, que consistia em chicotadas com um reio, um tipo de chicote geralmente usado em cavalos. Em um dos casos relatados à polícia, quatro vítimas sofreram entre 15 e 25 chicotadas cada. O g1 teve acesso a um áudio atribuído ao pastor que indica também a privação de comida como forma de punição. Em uma gravação, ele afirma: “Até resolver a situação da bomba, estão sem comer”. O pastor se referia aos fiéis como “piões” e o local onde dormiam era chamado de “baia”.

Abusos sexuais e controle psicológico

A investigação aponta que as agressões físicas e psicológicas também eram usadas como forma de pressão para a prática de abusos sexuais. Homens eram os principais alvos dos abusos sexuais, segundo a polícia. “Ele dizia que, por fora, podia ser homem, mas que, em quatro paredes, tinha que ser mulher para poder nos ludibriar. Isso aconteceu por vários anos e hoje sou um cara que vive atormentado, com muitas lembranças. Tenho vergonha, mas tô lutando todos os dias para mudar esse centro na minha mente”, relatou uma das vítimas.

Condições de vida dos fiéis

De acordo com a polícia, os fiéis viviam sob controle constante dentro da igreja e não tinham contato com o público externo. O comportamento era rigidamente determinado pelo pastor, com separação entre homens e mulheres e monitoramento contínuo por câmeras, inclusive durante o banho. “Já apanhei, já fiquei sem refeição, já fiquei trancada no quarto sem poder falar com ninguém. Ele também pedia para as pessoas lá do local me tratarem como louca”, afirmou uma das vítimas.

Durante o cumprimento do mandado, a polícia apreendeu folhas de papel com a frase “Eu preciso aprender a respeitar o meu líder” escrita mais de 100 vezes. Segundo os investigadores, esse era um dos castigos impostos aos fiéis.

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