PCC é comparado a multinacional por jornal dos EUA e tem núcleo de 'compliance'
PCC comparado a multinacional tem núcleo de 'compliance'

PCC é comparado a multinacional por jornal dos EUA e tem núcleo de 'compliance'

O Primeiro Comando da Capital (PCC) foi comparado à máfia italiana, com a eficiência de uma multinacional, pelo jornal norte-americano The Wall Street Journal, em reportagem publicada na segunda-feira (20). De acordo com a publicação, a facção se tornou uma das maiores organizações criminosas do mundo, reformulando os fluxos globais de cocaína da América do Sul para os portos mais movimentados da Europa e avançando em direção aos Estados Unidos.

Expansão internacional e atuação nos EUA

Autoridades norte-americanas identificaram pessoas ligadas ao PCC em estados como Flórida, Nova York, Nova Jersey, Connecticut e Tennessee. Em Massachusetts, o gabinete do procurador federal anunciou no ano passado acusações contra 18 brasileiros que teriam ligação com a facção. Atualmente, o grupo criminoso conta com 40 mil membros e se tornou o maior das Américas, com atuação em 30 países e em todos os continentes, exceto na Antártida.

Segundo o jornal, existe uma discussão nos Estados Unidos para que o presidente Donald Trump classifique o PCC como uma Organização Terrorista Estrangeira. No entanto, o governo brasileiro é contra essa medida, o que destaca as complexidades políticas envolvidas no combate ao crime organizado transnacional.

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Estrutura organizacional e métodos de recrutamento

O The Wall Street Journal destaca que a facção funciona como uma multinacional, com um nível máximo de organização. Os membros do PCC mantêm um perfil discreto e empresarial, buscando fortuna, não fama. Novos integrantes aderem a um rígido código interno de conduta, e seus rituais de ingresso às vezes são realizados por videoconferência, demonstrando a adaptação tecnológica do grupo.

Para recrutar membros, obter dinheiro e abrir rotas para o tráfico, integrantes do PCC estariam indo a regiões remotas do Brasil fingindo ser pastores. Muitos evangélicos no país aderem à chamada teologia da prosperidade — a crença de que a riqueza é sinal de favor divino —, o que ajuda a facção a avançar em comunidades pobres. Em 2023, a facção foi acusada de criar pelo menos sete igrejas para lavar dinheiro do tráfico no Rio Grande do Norte.

Lavagem de dinheiro e diversificação de atividades criminosas

Além das igrejas, o grupo também lavaria dinheiro em postos de gasolina, fundos imobiliários, motéis, concessionárias e empresas de construção. Para recrutar mais membros, detentos recebem promessas de apoio jurídico de advogados da facção, conhecidos como “brigada da gravata”. O grupo também recruta pessoas fora dos presídios, em países como Colômbia, Peru e Bolívia, expandindo sua atuação até a Amazônia.

Jeffersson Ribeiro, que administra um pequeno hotel em Urucurituba, disse ao The Wall Street Journal que grupos criminosos chegaram a criar um time de futebol para recrutar jovens, exemplificando como o PCC se infiltra em comunidades locais. “Estamos nas mãos dos traficantes agora”, afirmou ele, refletindo o impacto social da organização.

Governo do mundo ilegal e desafios para o combate

De acordo com a reportagem, o PCC virou uma agência reguladora e um governo do mundo ilegal, organizando o tráfico internacional. Bruno Manso, especialista no grupo e coautor de “A Guerra: A Ascensão do PCC e o Mundo do Crime no Brasil”, disse ao jornal que nenhum integrante está acima das regras em uma facção que valoriza igualdade e união, mas qualquer um pode prosperar desde que permaneça leal.

Além do tráfico de drogas, o PCC também explora mineração de ouro, extração de madeira, tráfico de pessoas, pesca ilegal, caça predatória e escravização de comunidades indígenas. A estrutura da organização, que não requer controle territorial direto, é um dos fatores que permitiu a rápida expansão, tornando mais difícil desmantelar o grupo. Essa complexidade apresenta sérios desafios para as autoridades brasileiras e internacionais no combate ao crime organizado.

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