Menor cidade de Roraima enfrenta crise econômica após desvio de recursos
O Ministério Público de Roraima (MPRR) instaurou um inquérito para apurar o desvio de R$ 2 milhões provenientes de emendas parlamentares, destinados originalmente à compra de medicamentos, mas que foram utilizados para pagar empresas de construção civil em São Luiz do Anauá, o município menos populoso do estado. De acordo com documentos obtidos pelo g1, os repasses ocorreram em 2024, durante a gestão do então prefeito James Batista (PSD). A investigação teve início após denúncia apresentada em 2025 pelo atual prefeito, Chicão (PP), que apontou irregularidades na administração anterior.
Esquema de desvio de finalidade
Nos repasses sob investigação, a Prefeitura de São Luiz firmou um convênio com o Governo de Roraima para aquisição de medicamentos e insumos hospitalares. Com isso, o município recebeu R$ 2,73 milhões em conta específica do convênio. Posteriormente, parte dos valores foi transferida para duas empresas de construção civil: a TCM Construções recebeu R$ 2.068.647,38, e a União Empreendimentos recebeu R$ 608.676,12. O g1 busca contato com as empresas e com o ex-prefeito. A investigação também revelou que R$ 900 mil foram estornados no mesmo período, sem identificação do responsável pela devolução. Os pagamentos ocorreram entre 15 e 23 de agosto de 2024, cerca de 42 dias após a assinatura do convênio. As movimentações apresentam indícios de desvio de finalidade dos recursos, fracionamento irregular de despesas e possível direcionamento indevido de recursos públicos.
Caos econômico no menor município de Roraima
Com apenas 7.315 habitantes, segundo o Censo 2022, São Luiz do Anauá enfrenta uma grave crise financeira. A atual gestão informou que o município deve mais de R$ 38 milhões, incluindo dívidas com funerárias, herdadas da administração anterior. Esse valor representa 74% do orçamento sancionado para 2025, de R$ 51,9 milhões. O ex-prefeito James Moreira Batista foi convocado em outubro de 2025 para prestar esclarecimentos sobre o uso de recursos federais destinados à Educação durante sua gestão. Diante do rombo, o prefeito Chicão decretou estado de calamidade pública financeira em janeiro de 2025, com vigência até julho. No entanto, Chicão também passou a ser investigado pelo Ministério Público de Contas (MPC) por contratar e efetuar pagamentos indevidos a empresas de fachada, além de desvio de verbas que somam mais de R$ 7,4 milhões. Em julho, o MPC pediu o afastamento imediato do prefeito, encaminhando o pedido ao Tribunal de Contas de Roraima (TCE). Em novembro de 2025, a Câmara de Vereadores aprovou a abertura de um processo de impeachment contra Chicão, por infrações político-administrativas e atos de improbidade.
Além das emendas investigadas, São Luiz recebeu R$ 103 milhões em repasses de parlamentares federais e estaduais em quatro anos, o que motivou outras apurações. A cidade, que é a menor do estado, vive um verdadeiro caos econômico, com serviços públicos comprometidos e a população sofrendo as consequências da má gestão.



