O funkeiro Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, conhecido como MC Poze do Rodo, foi solto no início da tarde desta quinta-feira (14) após decisão da Justiça Federal. Ele deixou o Presídio Joaquim Ferreira, anexo da Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, o Bangu 8, no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. A saída foi acompanhada por uma equipe da Secretaria de Polícia Penal (Sepen).
O cantor estava preso desde a deflagração da Operação Narco Fluxo, que investiga um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro envolvendo bets ilegais, rifas clandestinas e tráfico internacional de drogas. A decisão que concedeu o habeas corpus foi assinada pela desembargadora Louise Vilela Leite Filgueiras, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), na quarta-feira (13).
Medidas cautelares impostas
Apesar da revogação da prisão preventiva, a Justiça estabeleceu uma série de medidas cautelares que o artista deverá cumprir. Entre elas, destacam-se:
- Comparecer a todos os atos do processo;
- Informar eventual mudança de endereço;
- Comparecer mensalmente em juízo;
- Não deixar a cidade onde mora por mais de cinco dias sem autorização judicial;
- Não sair do país sem autorização da Justiça e entregar o passaporte, caso possua.
Na decisão, a magistrada apontou excesso de prazo nas investigações e ausência de denúncia formal do Ministério Público Federal. Ela afirmou que a prisão preventiva não pode servir como instrumento para facilitar a produção de provas.
Defesa comemora liberdade
O advogado Fernando Henrique Cardoso Neves, que defende o MC, declarou: “Nosso pedido de extensão foi aceito. Esperamos em breve poder retirar nosso cliente, Marlon Brandon, deste aprisionamento desnecessário e ilegal”. A defesa do cantor havia solicitado à Justiça a extensão da decisão que concedeu liberdade ao empresário Henrique Viana, conhecido como Rato, da produtora Love Funk. Segundo os advogados, o artista estava na mesma situação jurídica do empresário.
Nesta quinta, a defesa emitiu uma nova nota celebrando a decisão. O texto destaca que a liberdade é a regra na democracia e critica a prisão como instrumento de investigação ou espetáculo midiático.
Histórico de prisões
Em abril, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já havia mandado soltar Poze do Rodo, mas a Justiça Federal de Santos, a pedido da Polícia Federal, manteve o cantor preso preventivamente. O ministro do STJ Messod Azulay Neto havia concedido habeas corpus para o MC Ryan SP, decisão que também beneficiaria Poze e Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei. Todos eram alvos da operação contra uma organização criminosa acusada de lavagem de dinheiro e transações ilegais de mais de R$ 1,6 bilhão.
Em 2023, Poze foi preso pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) por apologia ao crime e envolvimento com o tráfico de drogas. Na ocasião, era investigado por lavar dinheiro do Comando Vermelho (CV). Segundo a DRE, o cantor realizava shows exclusivamente em áreas dominadas pela facção, com presença ostensiva de traficantes armados. As letras de suas músicas faziam apologia ao tráfico e ao uso ilegal de armas, incitando confrontos entre facções.
Em 2019, Poze foi preso em flagrante após um show em Sorriso (MT), onde menores de idade consumiam bebidas alcoólicas e drogas. A Polícia Militar local recebeu denúncias e, com apoio do Conselho Tutelar, fechou o evento. Pelo menos 40 menores foram encaminhados ao Conselho Tutelar, e três organizadores também foram detidos.
Operação Narco Fluxo
A Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal, investiga um esquema de ocultação e dissimulação de valores por meio de operações financeiras de alto valor, transporte de dinheiro em espécie e transações com criptoativos. Cerca de 200 policiais cumpriram 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal. Os envolvidos podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.



